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Ciência

Nobel: químicos resolveram mistério que pode tornar remédios mais eficazes

A Real Academia Sueca de Ciências, responsável pelo prêmio, anunciou os vencedores do Nobel de Química nesta quarta-feira (7/10)

07/10/2026 13:13, atualizado 07/10/2026 13:30
Unsplash
Ilustração colorida de molécula - Metrópoles

Vencedores do Nobel de Química de 2026, os químicos Henri B. Kagan, da França, e Kenso Soai, do Japão, resolveram o mistério da amplificação das moléculas assimétricas – também chamadas de moléculas-espelho –, uma descoberta fundamental tanto para potencializar medicamentos quanto para entender a origem da vida.

A Real Academia Sueca de Ciências, responsável pelo prêmio, anunciou os vencedores nesta quarta-feira (7/10). Ambos dividirão cerca de R$ 6 milhões pela honraria.

O que os químicos descobriram?

Muitas moléculas importantes para a biologia possuem duas formas espelhadas — conhecidas como moléculas quirais —, exatamente como a nossa mão esquerda e a mão direita. Embora tenham a mesma fórmula e os mesmos átomos, elas se organizam no espaço de modo invertido e não podem ser sobrepostas.

Na produção de medicamentos, essa forma espelhada pode atrapalhar: uma molécula pode se encaixar perfeitamente nos receptores do organismo (como uma chave na fechadura) e gerar o efeito benéfico, enquanto sua versão espelhada pode ser inerte ou causar efeitos colaterais indesejáveis.

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O grande triunfo dos trabalhos de Kagan e Soai foi demonstrar como uma reação química pode, a partir de um pequeno desequilíbrio inicial, realizar autocatálise — um processo em que o próprio produto acelera a sua formação — até produzir praticamente apenas a versão desejada da molécula.

“O trabalho é particularmente interessante porque envolve a autocatálise: o próprio produto da reação ajuda a produzir mais moléculas com a mesma orientação. Assim, uma pequena vantagem inicial de uma das formas é amplificada durante o processo, fazendo com que ela passe a predominar quase completamente”, explica o professor Luiz Gustavo Possato, do Departamento de Química da Unesp e pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira.