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Apuração pelo Brasil

Ciência

Ganhador do Nobel de Física usa gelo para captar "partículas fantasmas"

Os neutrinos são partículas elementares espalhadas por todo o Universo capazes de revelar novos detalhes do cosmos

06/10/2026 12:20
picture alliance/ Colaborador/Getty Images
Imagem colorida de um telão anunciando o vencedor do prêmio Nobel de Física - Metrópoles

O físico belga Francis Halzen foi o vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2026 por suas contribuições decisivas para desenvolver o Observatório de Neutrinos IceCube e ajudar a detectar neutrinos cósmicos de alta energia. A honraria concedida pela Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo, foi anunciada nesta terça-feira (6/10).

Basicamente, os neutrinos – conhecidos como partículas fantasmas – são partículas elementares da natureza que estão espalhados por todo o Universo. No entanto, é difícil encontrá-los, pois eles praticamente não interagem com a matéria, por não possuírem carga elétrica e terem uma massa minúscula. Para se ter uma ideia, trilhões deles atravessam a Terra e o corpo humano a todo momento sem deixar vestígios.

Uma das únicas formas de detecção – e bastante rara – é quando o neutrino colide com o núcleo de um átomo. Isso porque a interação entre ambos gera outras partículas e produz uma pequena quantidade de luz. A partir desses sinais, os cientistas conseguem identificar a passagem de neutrinos.

No entanto, durante sua trajetória acadêmica, Halzen foi o primeiro a perceber e propor que o gelo do Polo Sul poderia ajudar na árdua tarefa de rastrear neutrinos. Dessa forma, foi desenvolvido o Observatório de Neutrinos IceCube, um telescópio de partículas gigante instalado no gelo da Antártida e projetado para detectar neutrinos cósmicos de alta energia.

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O observatório, instalado em um quilômetro cúbico de gelo, é equipado com sensores de luz. Assim, sempre que a interação de neutrinos produz luminosidade, os cientistas conseguem registrar esse evento raro.

“Quando um neutrino finalmente interage com o gelo, ele produz partículas carregadas que emitem radiação Cherenkov, uma luz que é registrada por milhares de sensores e permite estimar sua energia e a direção de onde ele veio”, explica o pesquisador Felipe Crasto de Lima, da Ilum Escola de Ciência, a faculdade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

O que se pode descobrir a partir dos neutrinos?

De acordo com o astrofísico Ulisses Barres de Almeida, os neutrinos são considerados mensageiros únicos e podem trazer pistas do que ocorre no Universo extremo, onde estão localizadas regiões do cosmos com propriedades físicas extremas e que geram fenômenos muito energéticos.

“Esses ambientes são muito densos, e frequentemente opacos (que não deixam passar a luz por eles) à observação eletromagnética direta, mas os neutrinos são as partículas menos interagentes e mais penetrantes do Universo, e com isso podem nos trazer informações diretamente destes locais obscuros”, destaca o pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

Almeida explica que, nesses ambientes onde a ciência terrestre ainda tem pouco conhecimento, estão em curso fenômenos astrofísicos de grande importância. Com a ajuda do observatório para achar neutrinos, podemos detectar esses eventos na Terra e descobrir mais detalhes do Universo profundo.