Nasa encontra novos indícios de que Marte já abrigou vida no passado

Estudo com dados do robô Curiosity aponta matéria orgânica sem explicação geológica conhecida

atualizado

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NEMES LASZLO/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images
Marte, ilustração. Marte é o quarto planeta a partir do Sol. É um mundo rochoso e desértico. Orbita o Sol a uma distância média de cerca de 227 milhões de quilômetros. Seu diâmetro é aproximadamente metade do da Terra. A cor vermelha se deve aos óxidos de ferro presentes nas rochas.
1 de 1 Marte, ilustração. Marte é o quarto planeta a partir do Sol. É um mundo rochoso e desértico. Orbita o Sol a uma distância média de cerca de 227 milhões de quilômetros. Seu diâmetro é aproximadamente metade do da Terra. A cor vermelha se deve aos óxidos de ferro presentes nas rochas. - Foto: NEMES LASZLO/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images

Pesquisadores da Nasa identificaram novos indícios que mantêm aberta a hipótese de que Marte possa ter abrigado vida no passado. A conclusão vem de uma análise recente de amostras coletadas pelo robô Curiosity, que não conseguiu explicar, por processos não-biológicos conhecidos, a origem de parte da matéria orgânica encontrada em rochas marcianas.

O estudo se baseia em dados obtidos na Cratera Gale, onde o Curiosity opera desde 2011. Em março de 2025, o laboratório químico do robô detectou pequenas quantidades de decano, undecano e dodecano em uma amostra de rocha sedimentar. Segundo os cientistas, essas moléculas podem ser fragmentos de ácidos graxos preservados ao longo de bilhões de anos.

Na Terra, os ácidos graxos são produzidos principalmente por organismos vivos, embora também possam surgir por processos geológicos sem participação biológica. Para investigar a origem do material encontrado em Marte, os pesquisadores analisaram hipóteses conhecidas, como a chegada de compostos orgânicos trazidos por meteoritos. Os resultados indicaram que esses mecanismos não explicam a quantidade das substâncias detectadas.

Publicado em 4 de fevereiro na revista científica Astrobiology, o estudo combinou experimentos de laboratório, simulações matemáticas e dados do Curiosity para reconstruir a história das rochas marcianas ao longo de cerca de 80 milhões de anos — período estimado em que o material ficou exposto à radiação cósmica. A análise sugere que a quantidade original de matéria orgânica pode ter sido maior do que aquela normalmente gerada por processos não biológicos conhecidos.

Diante desse cenário, os pesquisadores consideram plausível que organismos vivos tenham contribuído para a formação dessas moléculas em algum momento do passado do planeta. Ainda assim, eles ressaltam que os dados não confirmam a existência de vida em Marte, apenas ampliam o conjunto de evidências que sustenta essa hipótese.

Outros estudos recentes ajudam a explicar por que a possibilidade de vida antiga em Marte continua sendo investigada. Pesquisas sobre formações geológicas no Valles Marineris, o maior sistema de cânions do planeta, encontraram sinais de que a região já abrigou grandes volumes de água. Imagens de alta resolução captadas por sondas da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA) revelaram redes de canais ramificados semelhantes a rios e grandes depósitos de sedimentos, com características típicas de deltas.

Segundo os cientistas, essas evidências indicam que a água pode ter fluído de forma contínua e encontrado corpos de água estáveis, um ambiente considerado favorável ao surgimento e à preservação de formas de vida no passado.

Embora ainda não haja comprovação direta da existência de organismos em Marte, os novos resultados reforçam a ideia de que o planeta já teve condições ambientais muito diferentes das atuais. Novas análises e futuras missões devem aprofundar a investigação sobre a possibilidade de vida fora da Terra.

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