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Ciência

Estudo mostra que baratas usam memória coletiva para sobreviver

Um estudo que investigava o nível de resistência das baratas em seus ambientes descobriu que elas possuem memória coletiva

28/07/2026 16:49, atualizado 28/07/2026 17:21
Freepik
Imagem colorida de uma barata - Metrópoles

Apesar de não conseguirem se lembrar das coisas individualmente, as baratas utilizam a “memória coletiva” – ou seja, um conjunto de lembranças compartilhadas por um grupo – para sobreviver na natureza. A descoberta é de um novo estudo internacional que realizou experimentos com exemplares do inseto.

Os resultados das investigações, lideradas pelo ecologista Mariano Calvo Martín, da Université Libre de Bruxelles, na Bélgica, foram publicados na revista PLOS One.

Sabe-se que na natureza as baratas gostam de se abrigar em frestas úmidas e, principalmente, escuras. A fim de analisar como esses insetos eram resistentes às perturbações permanentes em seu tipo de ambiente preferido, os pesquisadores realizaram experimentos com luzes.

Os testes foram feitos com baratas-americanas (Periplaneta americana), uma das espécies urbanas mais comuns no Brasil. Os grupos foram alocados em dois abrigos idênticos, mas que recebiam dois tipos de luz diferentes: uma vermelha, que parecia mais escura na visão das baratas, e uma verde, que se assemelhava a um ambiente mais claro.

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Como esperado, inicialmente a maioria escolheu os locais de luz avermelhada. Em seguida, os cientistas inverteram as luzes dos abrigos. Para a surpresa dos observadores, grandes grupos do inseto resolveram permanecer no mesmo lugar onde já estavam estabelecidos. Apenas as baratas que estavam sozinhas se mudaram para o ambiente com a luz “ideal”.

Segundo os cientistas, a explicação do fenômeno está na atração social, uma força invisível que faz com que os insetos tenham interesse em estabelecer vínculos com a comunidade em que estão inseridos. Assim, mesmo sem ter memória individual, quando uma barata vê um grupo grande parado em um lugar com a luz indesejável, ela se comporta de acordo com a maioria – é a chamada “memória coletiva”.

Em outro passo do estudo, foram criadas baratas virtuais programadas apenas para preferir abrigos mais escuros e permanecer onde as outras já estivessem reunidas. O resultado foi o mesmo visto no teste das luzes: a memória coletiva comandava as ações dos insetos.

“Nossa abordagem teórica revela que as interações sociais e a estrutura do grupo são suficientes para exibir uma memória coletiva”, escreveram os pesquisadores no artigo.

Acredita-se que a memória coletiva esteja presente em outros grupos de animais, como formigas, peixes e pássaros. Porém, ainda são necessários mais estudos para compreender melhor a abrangência desse fenômeno.