Mariposas usam as asas para sentir o cheiro de suas plantas preferidas
As asas das mariposas conseguem detectar cheiros de duas aminas fedorentas presentes nas plantas preferidas delas para depositar ovos

Ao investigar as capacidades das asas de uma espécie de mariposa, pesquisadores descobriram que a região ajuda no olfato do inseto. Já havia uma suspeita de que o atributo estivesse presente nas estruturas, porém a confirmação veio somente após análises da superfície das asas e a medição dos sinais elétricos produzidos por elas.
A descoberta veio por meio de uma investigação realizada na mariposa-falcão-do-tabaco (Manduca sexta). O estudo liderado pelo Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha, foi publicado no Journal of Experimental Biology nesta segunda-feira (27/7).
Segundo os autores, recentemente descobriu-se que a espécie tem proteínas receptoras em suas asas capazes de detectar diferentes cheiros e sabores. À procura de estruturas que comprovassem a habilidade, os pesquisadores cortaram as bordas das asas de exemplares e encontraram, por meio de microscópio eletrônico, um tipo de pelo menor e com poros, semelhante aos sensores de olfato achados nas antenas dos insetos.
Em seguida, foi coletado o RNA mensageiro (mRNA) das asas das mariposas – é ele que codifica as proteínas capazes de reconhecer os odores específicos. Ao investigá-lo minuciosamente, foram descobertos 33 receptores de paladar e olfato, sendo que 15 deles eram produzidos na borda da asa, local onde ficavam os pelos menores e porosos sensíveis ao odor.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAo comparar as proteínas receptoras da asa com odores que elas detectam em outros insetos, descobriu-se que as asas da mariposa detectam sabores amargos e aminas, um composto químico de cheiro forte parecido com peixe podre.
Para entender, na prática, quais odores são farejados pelas asas, os pesquisadores as conectaram a um circuito elétrico e sopraram vários cheiros nelas. Apenas dois foram detectados: pirrolidina e piperidina, duas aminas fedorentas presentes nas folhas de plantas da família das solanáceas, as preferidas das mariposas para depositar seus ovos.
Em outro teste, só que sem a parte das bordas, os odores foram detectados novamente. “Isso sugere que a mariposa possui pelos sensoriais especiais em suas asas, não apenas nas bordas, que conseguem detectar esses odores”, afirma uma das autoras do estudo, Sonja Bisch-Knaden, em comunicado.
Já em um experimento final com auxílio de inteligência artificial (IA), percebeu-se que a proteína receptora se molda assim que a molécula do odor correta (pirrolidina ou piperidina) é detectada. Depois que altera sua forma, ela emite um sinal elétrico, que posteriormente é enviado ao sistema nervoso.
Segundo os pesquisadores, a descoberta ajuda a entender melhor a anatomia e o funcionamento do corpo desse grupo de insetos, mostrando que eles utilizam as asas para encontrar as plantas preferidas para depositar seus ovos.



