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Ciência

Mariposas usam as asas para sentir o cheiro de suas plantas preferidas

As asas das mariposas conseguem detectar cheiros de duas aminas fedorentas presentes nas plantas preferidas delas para depositar ovos

27/07/2026 17:47
Divulgação/Anna Schroll
Imagem colorida de mariposa se alimentando de flor - Metrópoles

Ao investigar as capacidades das asas de uma espécie de mariposa, pesquisadores descobriram que a região ajuda no olfato do inseto. Já havia uma suspeita de que o atributo estivesse presente nas estruturas, porém a confirmação veio somente após análises da superfície das asas e a medição dos sinais elétricos produzidos por elas.

A descoberta veio por meio de uma investigação realizada na mariposa-falcão-do-tabaco (Manduca sexta). O estudo liderado pelo Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha, foi publicado no Journal of Experimental Biology nesta segunda-feira (27/7).

Segundo os autores, recentemente descobriu-se que a espécie tem proteínas receptoras em suas asas capazes de detectar diferentes cheiros e sabores. À procura de estruturas que comprovassem a habilidade, os pesquisadores cortaram as bordas das asas de exemplares e encontraram, por meio de microscópio eletrônico, um tipo de pelo menor e com poros, semelhante aos sensores de olfato achados nas antenas dos insetos.

Em seguida, foi coletado o RNA mensageiro (mRNA) das asas das mariposas – é ele que codifica as proteínas capazes de reconhecer os odores específicos. Ao investigá-lo minuciosamente, foram descobertos 33 receptores de paladar e olfato, sendo que 15 deles eram produzidos na borda da asa, local onde ficavam os pelos menores e porosos sensíveis ao odor.

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Ao comparar as proteínas receptoras da asa com odores que elas detectam em outros insetos, descobriu-se que as asas da mariposa detectam sabores amargos e aminas, um composto químico de cheiro forte parecido com peixe podre.

Para entender, na prática, quais odores são farejados pelas asas, os pesquisadores as conectaram a um circuito elétrico e sopraram vários cheiros nelas. Apenas dois foram detectados: pirrolidina e piperidina, duas aminas fedorentas presentes nas folhas de plantas da família das solanáceas, as preferidas das mariposas para depositar seus ovos.

Em outro teste, só que sem a parte das bordas, os odores foram detectados novamente. “Isso sugere que a mariposa possui pelos sensoriais especiais em suas asas, não apenas nas bordas, que conseguem detectar esses odores”, afirma uma das autoras do estudo, Sonja Bisch-Knaden, em comunicado.

Já em um experimento final com auxílio de inteligência artificial (IA), percebeu-se que a proteína receptora se molda assim que a molécula do odor correta (pirrolidina ou piperidina) é detectada. Depois que altera sua forma, ela emite um sinal elétrico, que posteriormente é enviado ao sistema nervoso.

Segundo os pesquisadores, a descoberta ajuda a entender melhor a anatomia e o funcionamento do corpo desse grupo de insetos, mostrando que eles utilizam as asas para encontrar as plantas preferidas para depositar seus ovos.