Mapa mostra o esqueleto oculto que mantém o cosmos unido

Matéria escura é mostrada com precisão inédita em nova imagem do telescópio James Webb. Ela teria sido a principal “arquiteta” do universo

atualizado

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Dr Gavin Leroy/COSMOS-Webb collaboration
Imagem mostra como a matéria escura (em azul) forma a estrutura invisível que sustenta as galáxias do universo - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra como a matéria escura (em azul) forma a estrutura invisível que sustenta as galáxias do universo - Metrópoles - Foto: Dr Gavin Leroy/COSMOS-Webb collaboration

Uma equipe internacional de pesquisadores publicou na segunda-feira (26/01), na revista Nature Astronomy, o mapa com a mais alta resolução até o momento da matéria escura, um dos grandes enigmas do Universo.

Sua elaboração, a partir das observações do telescópio espacial James Webb (das agências espaciais europeia e canadense e da Nasa), sugere que a matéria escura foi o que determinou a distribuição em grande escala das galáxias, reforçando a teoria de que ela teria sido a principal “arquiteta” do Universo.

A ciência considera que apenas 4% do universo é matéria comum (aquela que vemos), e aproximadamente 26% seria composto por matéria escura, até hoje impossível de ser observada ou detectada para além de seus efeitos gravitacionais sobre a matéria comum.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade britânica de Durham, da Escola Politécnica Federal de Lausanne (Suíça) e da Nasa.

Os cientistas acreditam que, na origem do Universo, a matéria escura se aglutinou primeiro e depois atraiu a matéria normal, criando as regiões onde começaram a se formar estrelas e galáxias e, mais tarde, os planetas.

Os pesquisadores sustentam que, sem ela, é possível que a Via Láctea não tivesse os elementos que permitiram o surgimento da vida na Terra.

“Ao revelar a matéria escura com uma precisão sem precedentes, nosso mapa mostra como um componente invisível do Universo estruturou a matéria visível a ponto de permitir o surgimento de galáxias, estrelas e, em última instância, da própria vida”, afirma um dos autores, Gavin Leroy, da Universidade de Durham.

“Este mapa revela o papel invisível, mas essencial, da matéria escura, a verdadeira arquiteta do Universo, que organiza gradualmente as estruturas que observamos através de nossos telescópios”, acrescenta o pesquisador, em comunicado.

Um componente invisível que atravessa a matéria

O trabalho também confirma que a matéria escura não emite, reflete, absorve ou bloqueia a luz, e que “atravessa a matéria normal como um fantasma”.

O surpreendente é que, apesar desse caráter fantasmagórico, a matéria escura interage com o resto do Universo através da gravidade e atraiu para si a matéria normal ao longo da história cósmica.

“Existem bilhões de partículas de matéria escura atravessando nosso corpo a cada segundo. Elas não causam nenhum dano, não nos percebem e simplesmente seguem seu caminho. Mas toda a nuvem de matéria escura que gira em torno da Via Láctea tem gravidade suficiente para manter unida toda a nossa galáxia. Sem a matéria escura, a Via Láctea se desintegraria”, observa Leroy.

255 horas de observação com telescópio James Webb

A área coberta pelo novo mapa está localizada na direção da constelação de Sextans. O telescópio James Webb observou essa região durante 255 horas e identificou quase 800 mil galáxias, muitas delas detectadas pela primeira vez. Em seguida, a equipe científica procurou matéria escura observando como sua massa curva o próprio espaço.

O novo mapa contém aproximadamente dez vezes mais galáxias do que os mapas da área feitos por observatórios terrestres e o dobro do telescópio espacial Hubble.

“Até agora, víamos uma imagem borrada da matéria escura. Agora, graças à extraordinária resolução do telescópio James Webb, vemos a estrutura invisível do Universo com um detalhe surpreendente”, conclui outra autora do estudo, a pesquisadora da Nasa Diana Scognamiglio.

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