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Ciência

Mapa 2D gigante permite explorar 4 bilhões de objetos do Universo

Maior mapa 2D já produzido tem 5,6 trilhões de pixels e reúne estrelas, galáxias, buracos negros e asteroides

13/08/2026 11:46
Divulgação/Nasa
Um campo estelar cheio de milhares de estrelas e nuvens brilhantes de poeira. A elegante estrutura espiral da Via Láctea é dominada por apenas dois braços envolvendo as extremidades de uma barra central de estrelas. Metrópoles

Depois de 13 anos de coleta e processamento de imagens do céu, cientistas divulgaram o maior mapa bidimensional do Universo já produzido. O levantamento reúne quase 4 bilhões de objetos celestes, entre estrelas, galáxias, buracos negros e asteroides, em uma imagem formada por 5,6 trilhões de pixels.

O trabalho é resultado do DESI Legacy Imaging Surveys, projeto que reuniu observações feitas por diferentes telescópios terrestres e dados da missão espacial WISE, da Nasa. Mais de 160 cientistas participaram da coleta das informações, enquanto uma equipe de 20 pesquisadores produziu o conjunto final divulgado agora.

Na prática, o resultado funciona como uma gigantesca fotografia do céu. O mapa registra onde estrelas e galáxias aparecem e o brilho de cada uma. Diferentemente de um mapa tridimensional, ele não mostra diretamente a distância dos objetos em relação à Terra. Você pode conferir o mapa clicando aqui.

O que aparece no mapa?

O levantamento cobre aproximadamente 75% do céu em luz visível e infravermelha próxima e oferece uma visão profunda do Universo além da Via Láctea, em regiões não encobertas pela poeira e pelas estrelas da nossa galáxia.

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Para construir o mapa, os pesquisadores combinaram 263.407 exposições obtidas por três levantamentos astronômicos terrestres: DECaLS, MzLS e BASS. Também foram incorporados anos de observações feitas pela missão Wide-field Infrared Survey Explorer (WISE), da Nasa. O volume de informações ajuda a dimensionar o projeto:

  • 13 anos de coleta e processamento de dados;
  • Quase 4 bilhões de objetos celestes catalogados;
  • 5,6 trilhões de pixels;
  • 263.407 exposições de telescópios;
  • Aproximadamente 75% do céu coberto;
  • Mais de 160 cientistas envolvidos na coleta dos dados.

Por que criar um mapa tão grande?

Os levantamentos foram realizados originalmente como preparação para o Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (DESI). O mapa 2D funciona como uma espécie de catálogo inicial: mostra onde estão os objetos e permite que o DESI selecione quais deles serão estudados em detalhes.

Depois, o instrumento analisa a luz emitida por galáxias e outros objetos em diferentes comprimentos de onda para calcular suas distâncias. Com as informações, os pesquisadores conseguem transformar a visão bidimensional do céu em um mapa tridimensional de alta resolução.

O objetivo é estudar como as galáxias se distribuíram em diferentes momentos da história cósmica e, a partir daí, investigar a energia escura, fenômeno associado à expansão acelerada do Universo.

Em abril, o DESI concluiu seu levantamento original de cinco anos antes do previsto e com um número de objetos superior ao esperado. Os primeiros resultados encontraram indícios de que a influência da energia escura pode estar mudando ao longo do tempo, hipótese que ainda precisa ser confirmada por novas análises.

Um mapa aberto para qualquer pessoa

O levantamento não será utilizado apenas pelo DESI. Os dados estão disponíveis gratuitamente para pesquisadores e para o público e podem servir para procurar fenômenos raros, como lentes gravitacionais, acompanhar eventos temporários, como supernovas, e investigar questões relacionadas à matéria e à energia escuras.

Segundo o NOIRLab, mais de 1.800 artigos científicos publicados até agora fazem referência a dados de versões anteriores dos Legacy Surveys. Segundo ele, ao estudar objetos astronômicos, pesquisadores frequentemente começam consultando o visualizador do Legacy Surveys para identificar o que estão observando.

Os cientistas esperam que o novo mapa permaneça como a visão 2D mais completa do Universo por muitos anos. Os dados também deverão servir de referência para observações de novos instrumentos, como o Observatório Vera C. Rubin e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, além de ajudar no treinamento de ferramentas de inteligência artificial capazes de analisar enormes volumes de informações astronômicas.