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Ciência

Genética pode levar machos de viúvas-negras a saltar para a morte

Um estudo revelou que parte do comportamento dos machos da espécie de viúva-negra está ligada à genética

12/08/2026 15:48, atualizado 12/08/2026 15:59
Mark Kostich/gettyimages
Imagem colorida de espécie da aranha viúva-negra-Metrópoles

De acordo com uma nova pesquisa publicada na revista Biology Letters, nesta quarta-feira (12/8),  parte do comportamento dos machos de uma versão australiana da viúva-negra, a aranha-das-costas-vermelhas (Latrodectus hasselti), é herança genética.

Essas espécies são conhecidas por suas fêmeas praticarem o canibalismo sexual. No momento do acasalamento, o macho dá um salto mortal para trás em direção às presas da fêmea, com o objetivo de prolongar a relação sexual. Eles também contraem o abdômen em uma manobra que parece ajudá-los a sobreviver à experiência de serem devorados vivos antes de completarem a transferência dos espermas.

Depois, eles arrancam os órgãos que transferem os espermas, chamados de pedipalpos, de modo que eles são inseridos nas fêmeas como se fossem uma rolha, impedindo assim que outro macho as insemine.

Porém, uma espécie prima, da Nova Zelândia, a kaitipó, Latrodectus katipo, os machos não apresentam o mesmo comportamento. Eles apenas fazem a dança do acasalamento de uma forma respeitosa e educada, com cara de despedida, sem cambalhotas ou canibalismos.

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Essa diferença de comportamento instigou os pesquisadores a entenderem se há uma questão genética por trás dos hábitos dos aracnídeos.

Segundo a doutoranda em biologia comportamental Kardelen Özgün Uludağ, da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, a proximidade entre as espécies torna o sistema de acasalamento intrigante.

“Essas duas espécies podem ter se separado há menos de 100 mil anos, mas ainda apresentam comportamentos e características observáveis completamente diferentes. Isso é muito incomum em animais”, afirmou ao portal científico Live Science.

Teste para descobrir a base genética

Para entender geneticamente como essa organização na hora do acasalamento acontece, a equipe de pesquisadores expôs as fêmeas katipō aos machos de-costas-vermelhas para que eles acasalassem.

As espécies são suficientemente próximas geneticamente para gerar espécies híbridas. Dessa forma, os pesquisadores cruzaram as fêmeas híbridas com machos de-costas-vermelhas ou machos das katipō. O resultado foram machos geneticamente modificados.

Assim, os machos híbridos foram colocados para acasalar com as fêmeas katipō, para que os autores do estudo observassem seus comportamentos. Eles monitoraram a quantidade de vezes que os machos davam cambalhotas e contraíam o abdômen em direção às fêmeas, que pareciam estar “perplexas”, já que não praticavam o canibalismo.

Dessa forma, foi descoberto então que os comportamentos não têm fortes ligações genéticas, pois os machos híbridos combinavam as cambalhotas e contrações abdominais metade das vezes, fazendo uma ou outra das demais atividades. 

Foi observado também que os padrões de herança genética sugeriram que os comportamentos dos machos estavam ligados aos cromossomos X, dos quais as fêmeas carregam dois e os machos somente um. Além disso, houve recessividade no padrão de herança das cambalhotas.

Em relação às contrações abdominais, porém, este era um comportamento genético mais complexo, controlado por múltiplos genes ou influenciado fortemente pelo comportamento das fêmeas.

“Apesar da fama, apenas algumas espécies de viúvas-negras devoram os machos. As australianas são uma delas. Esse comportamento ainda é motivo de pesquisa dos autores. “Seria interessante investigar mais espécies do gênero Latrodectus para permitir estudos comparativos”, disse Uludağ.