Louva-a-deus asiáticos são declarados como “invasores” da Europa

Além de se reproduzir mais facilmente do que as espécies nativas, os louva-a-deus invasores se alimentam de insetos polinizadores locais

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida dos louva-a-deus asiáticos invasores - Metrópoles - Foto: Divulgação/Roberto Battiston

Pesquisadores identificaram a presença maciça de duas espécies asiáticas de louva-a-deus gigantes na Europa, a Hierodula tenuidentata e a Hierodula patellifera. Ambas foram reconhecidas formalmente como espécies exóticas invasoras (EEI). 

Segundo os cientistas, elas estão presentes na Europa há cerca de uma década, mas as populações passaram por um aumento muito grande em algumas partes do continente nos últimos anos, especialmente na região do Mediterrâneo.

“Graças às mudanças climáticas, elas estão se deslocando cada vez mais para o norte”, explica em comunicado o autor principal do estudo, Roberto Battiston. Ele é pesquisador do Museu de Arqueologia e Ciências Naturais G. Zannato, na Itália.

Os resultados do estudo foram publicados no Journal of Orthoptera Research em 9 de fevereiro.

Impactos as espécies invasoras de louva-a-deus

Além do reconhecimento das espécies como invasoras, os cientistas investigaram os impactos da presença dos insetos asiáticos no habitat com exemplares nativos.

De porte grande, ambas as espécies asiáticas são bastante adaptáveis e têm alto potencial reprodutivo, sendo capazes de eclodir cerca de 200 ninfas (filhotes do inseto) por casulo. A quantidade produzida é praticamente o dobro em comparação à espécie europeia, Mantis religiosa.

A baixa taxa de canibalismo entre as ninfas das espécies asiáticas favorece ainda mais a disseminação delas.

Além de atrair machos nativos para o acasalamento e depois devorá-los, as invasoras consomem outros animais locais, como abelhas polinizadoras, e pequenos vertebrados, como lagartos e rãs-arborícolas. Assim, várias populações têm sido dizimadas.

Para sobreviver durante a temporada de frio, os insetos asiáticos se alocam em áreas urbanas, com asfalto e prédios, onde o calor fica mais retido e, consequentemente, mais quente.

As observações mostraram que os gatos domésticos são os principais predadores das espécies invasoras. Ainda assim, a presença dos felinos não deve ter impacto significativo na cadeia alimentar, pois eles não sabem distinguir se a presa é um exemplar europeu ou asiático.

Visando mitigar os efeitos da invasão, os cientistas criaram um projeto de ciência cidadã, em que voluntários podem registrar onde viram os insetos gigantes. Durante o inverno, quando as árvores e arbustos ficam sem folhas, é possível retirar e eliminar os casulos sem causar dor. No entanto, é essencial ter atenção para não prejudicar um exemplar nativo acidentalmente.

“Com a criação do projeto de ciência cidadã, já conseguimos coletar mais de 2,3 mil relatos de entusiastas e cidadãos. A ciência cidadã é uma ferramenta fundamental não apenas para o monitoramento, mas também para conscientizar e informar as pessoas de forma ativa e participativa sobre essas questões ambientais importantes”, afirma Battiston.

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