É o bicho!

Presente de grego! Por que gatos entregam insetos e coisas aleatórias?

Um comportamento muito comum entre gatos é presentear os tutores com insetos e objetos aleatórios. Entenda o que significa e como agir

atualizado

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GOPAN G NAIR/Getty Images
gato olhando para borboleta
1 de 1 gato olhando para borboleta - Foto: GOPAN G NAIR/Getty Images

Conviver com um gato em casa é saber que, a qualquer momento, você pode receber um “mimo” nada convencional de presente. Pode ser um inseto, um brinquedo esquecido ou, em alguns casos, um pequeno animal capturado — passarinhos geralmente são as vítimas.

Apesar de peculiar para humanos, esse gesto é comum no universo felino e tem forte peso emocional e instintivo. Especialistas da plataforma especializada no mundo pet PetMD explicam que o hábito de entregar objetos ao tutor se conecta ao instinto de caça.

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Gesto de carinho ou não?

Mesmo domesticados, os gatos preservam traços dos parentes selvagens, que compartilham presas com o grupo, especialmente com filhotes, para ensinar habilidades e fortalecer laços. Quando levam algo até o tutor, repetem esse padrão social, como se estivessem dizendo: “Olha o que eu achei”.

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As fitas chamam a atenção dos felinos
Os bichanos podem viver em harmonia
Oferecer brinquedos interativos deixa o pet entretido
Os gatos são bastante territorialistas
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Oferecer brinquedos interativos deixa o pet entretido
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Oferecer brinquedos interativos deixa o pet entretido

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Assim, aquele item inesperado e, às vezes, até desagradável, funciona como uma versão simbólica de sua “caçada”. Para os bichanos, o humano é parte de seu círculo social. Por isso, dividir um brinquedo, ou até um inseto, é entendido como demonstração de vínculo e confiança, quase como um presente entre amigos muito próximos.

Segundo veterinários comportamentalistas, essa troca ajuda a aprofundar o sentimento de pertencimento do pet. Quanto mais forte a conexão entre gato e tutor, maior a chance de o comportamento aparecer, já que comunica confiança e afeto.

Por que meu gato não me presenteia?

Nem todos os felinos expressam afeto da mesma forma. Temperamento, idade e estímulos do ambiente influenciam bastante, mas gatos curiosos ou com forte instinto de caça tendem a trazer mais objetos.

gato olhando para bolinha
Punições não resolvem a situação, é preciso direcionar a energia do animal

Já os mais tranquilos ou com menos espaço para explorar podem preferir deitar perto do tutor e “amassar pãozinho”. No entanto, os donos podem ficar tranquilos: o afeto existe em ambos os casos — apenas muda a maneira como ele é comunicado.

Ainda que seja um “presente de grego”, é preciso tomar cuidado com as reações, porque a intenção é positiva. A recomendação é agradecer verbalmente, recolher o objeto com calma e oferecer outro brinquedo em troca, para não frustrar o felino. Se o hábito ficar frequente, o ideal é estimular o instinto com varinhas, bolas e pelúcias.

A caçada não é de hoje

A convivência entre humanos e gatos começou há cerca de 10 mil anos. Na época, os estoques de grãos da agricultura atraíam muitos roedores, e a habilidade dos felinos em caçá-los aproximou as duas espécies. Ou seja, de certa forma, eles “salvaram” as colheitas.

gato com pássaro na boca
Muitos bichanos costumam caçar pássaros

De lá para cá, quase nada mudou. Mesmo com o processo de domesticação, que chegou até a reduzir um pouco o tamanho do cérebro felino, o impulso para caçar segue intenso. Não à toa, um artigo da revista Nature aponta que, só nos Estados Unidos, gatos matam entre 1,4 bilhão e 3,7 bilhões de aves por ano.

Além disso, respondem por 6,9 bilhões a 20,7 bilhões de pequenos mamíferos abatidos, como ratos e esquilos. A lista não para por aí, pois inclui também centenas de milhões de répteis e anfíbios.

Porém, as projeções podem variar porque o número exato de gatos domésticos e de rua no país é desconhecido. Outro estudo mostra que a espécie pode ter sido responsável, ou pelo menos contribuído, para 33 extinções de aves, mamíferos e répteis, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Preferências e cuidados após a “caçada”

Pesquisadores da Universidade de Sydney (Austrália) e da Universidade Estadual do Oregon (Estados Unidos) observaram que cada gato pode se especializar em uma presa específica. Enquanto alguns preferem ratos, outros gostam mais dos pássaros e continuam atrás deles mesmo quando a disponibilidade diminui.

gato brincando com grilo
Um dos “presentes” mais comuns são insetos
“Nossos resultados sugerem que os gatos podem apresentar variação individual, ou entre fenótipos, no comportamento de caça e caçam tipos específicos de presas mesmo quando essas presas se tornam escassas”, escreveram.

A verdade é que nem sempre é um mimo para o dono, mas apenas um troféu para o próprio felino. A instituição Battersea, que acolhe gatos e cães de rua em Londres desde 1860, lembra que a intenção não é necessariamente presentear o tutor.

Para muitos felinos, levar a presa para um lugar seguro é instintivo. Ou seja, ele pode simplesmente estar guardando sua conquista em casa e, claro, lembrando que quem mora ali é ele, você é apenas um inquilino no local.

Ainda que esse comportamento renda algumas risadas, é preciso observar como o gato fica após caçar animais. Observe se ele apresenta vômitos, diarreia ou perda de apetite após capturar algo. Outro cuidado essencial é manter o pet protegido contra parasitas, pois ao ingerir roedores ou aves, pode contrair vermes, pulgas e carrapatos.

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