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Presente de grego! Por que gatos entregam insetos e coisas aleatórias?
Um comportamento muito comum entre gatos é presentear os tutores com insetos e objetos aleatórios. Entenda o que significa e como agir
atualizado
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Conviver com um gato em casa é saber que, a qualquer momento, você pode receber um “mimo” nada convencional de presente. Pode ser um inseto, um brinquedo esquecido ou, em alguns casos, um pequeno animal capturado — passarinhos geralmente são as vítimas.
Apesar de peculiar para humanos, esse gesto é comum no universo felino e tem forte peso emocional e instintivo. Especialistas da plataforma especializada no mundo pet PetMD explicam que o hábito de entregar objetos ao tutor se conecta ao instinto de caça.
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Gesto de carinho ou não?
Mesmo domesticados, os gatos preservam traços dos parentes selvagens, que compartilham presas com o grupo, especialmente com filhotes, para ensinar habilidades e fortalecer laços. Quando levam algo até o tutor, repetem esse padrão social, como se estivessem dizendo: “Olha o que eu achei”.
Assim, aquele item inesperado e, às vezes, até desagradável, funciona como uma versão simbólica de sua “caçada”. Para os bichanos, o humano é parte de seu círculo social. Por isso, dividir um brinquedo, ou até um inseto, é entendido como demonstração de vínculo e confiança, quase como um presente entre amigos muito próximos.
Segundo veterinários comportamentalistas, essa troca ajuda a aprofundar o sentimento de pertencimento do pet. Quanto mais forte a conexão entre gato e tutor, maior a chance de o comportamento aparecer, já que comunica confiança e afeto.
Por que meu gato não me presenteia?
Nem todos os felinos expressam afeto da mesma forma. Temperamento, idade e estímulos do ambiente influenciam bastante, mas gatos curiosos ou com forte instinto de caça tendem a trazer mais objetos.

Já os mais tranquilos ou com menos espaço para explorar podem preferir deitar perto do tutor e “amassar pãozinho”. No entanto, os donos podem ficar tranquilos: o afeto existe em ambos os casos — apenas muda a maneira como ele é comunicado.
Ainda que seja um “presente de grego”, é preciso tomar cuidado com as reações, porque a intenção é positiva. A recomendação é agradecer verbalmente, recolher o objeto com calma e oferecer outro brinquedo em troca, para não frustrar o felino. Se o hábito ficar frequente, o ideal é estimular o instinto com varinhas, bolas e pelúcias.
A caçada não é de hoje
A convivência entre humanos e gatos começou há cerca de 10 mil anos. Na época, os estoques de grãos da agricultura atraíam muitos roedores, e a habilidade dos felinos em caçá-los aproximou as duas espécies. Ou seja, de certa forma, eles “salvaram” as colheitas.

De lá para cá, quase nada mudou. Mesmo com o processo de domesticação, que chegou até a reduzir um pouco o tamanho do cérebro felino, o impulso para caçar segue intenso. Não à toa, um artigo da revista Nature aponta que, só nos Estados Unidos, gatos matam entre 1,4 bilhão e 3,7 bilhões de aves por ano.
Além disso, respondem por 6,9 bilhões a 20,7 bilhões de pequenos mamíferos abatidos, como ratos e esquilos. A lista não para por aí, pois inclui também centenas de milhões de répteis e anfíbios.
Porém, as projeções podem variar porque o número exato de gatos domésticos e de rua no país é desconhecido. Outro estudo mostra que a espécie pode ter sido responsável, ou pelo menos contribuído, para 33 extinções de aves, mamíferos e répteis, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Preferências e cuidados após a “caçada”
Pesquisadores da Universidade de Sydney (Austrália) e da Universidade Estadual do Oregon (Estados Unidos) observaram que cada gato pode se especializar em uma presa específica. Enquanto alguns preferem ratos, outros gostam mais dos pássaros e continuam atrás deles mesmo quando a disponibilidade diminui.

“Nossos resultados sugerem que os gatos podem apresentar variação individual, ou entre fenótipos, no comportamento de caça e caçam tipos específicos de presas mesmo quando essas presas se tornam escassas”, escreveram.
A verdade é que nem sempre é um mimo para o dono, mas apenas um troféu para o próprio felino. A instituição Battersea, que acolhe gatos e cães de rua em Londres desde 1860, lembra que a intenção não é necessariamente presentear o tutor.
Para muitos felinos, levar a presa para um lugar seguro é instintivo. Ou seja, ele pode simplesmente estar guardando sua conquista em casa e, claro, lembrando que quem mora ali é ele, você é apenas um inquilino no local.
Ainda que esse comportamento renda algumas risadas, é preciso observar como o gato fica após caçar animais. Observe se ele apresenta vômitos, diarreia ou perda de apetite após capturar algo. Outro cuidado essencial é manter o pet protegido contra parasitas, pois ao ingerir roedores ou aves, pode contrair vermes, pulgas e carrapatos.








