Insetos distintos compartilham genes há 120 milhões de anos. Entenda
Mesmo diferentes, borboletas e mariposas utilizam os mesmos genes para produzir as cores que servem de sinal de alerta contra predadores
atualizado
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É um consenso geral que mariposas e borboletas são insetos de espécies diferentes. No entanto, apesar de distintas, elas usam padrões de coloração das asas muito parecidos para se livrar de predadores. Segundo um novo estudo, a semelhança tem uma explicação: apesar de não serem iguais, os animais compartilham os mesmos genes há 120 milhões de anos, desde a época dos dinossauros.
Ambos insetos imitam cores em suas asas como um tipo de sinal de alerta para os predadores de que não são um “prato” saboroso, tendo um gosto ruim.
“Embora distantemente relacionadas, certos tipos de borboletas e mariposas são tóxicos e desagradáveis para os pássaros que tentam comê-las. Elas são muito parecidas porque, se os pássaros já aprenderam que um padrão de cores específico significa ‘não coma’, é benéfico para outras espécies exibirem as mesmas cores de advertência”, explica uma das autoras do artigo, Joana Meier, em comunicado.
A descoberta liderada pela Universidade de York e pelo Instituto Wellcome Sanger, ambos no Reino Unido, foi publicada na revista Plos Biology na última quinta-feira (30/4).
Genes compartilhados entre borboletas e mariposas
Durante o trabalho, o objetivo dos pesquisadores era detectar quais genes comandavam os padrões de cores de sete espécies distantemente relacionadas. Segundo os resultados, as colorações de advertência das borboletas e mariposas tinham relação com os mesmos dois genes: o ivory e o optix.
“Investigando sete linhagens de borboletas e uma mariposa diurna, mostramos que a evolução pode ser surpreendentemente previsível e que borboletas e mariposas vêm usando repetidamente os mesmos truques genéticos para alcançar padrões de cores semelhantes desde a era dos dinossauros”, relata uma das autoras do estudo, Kanchon Dasmahapatra, da Universidade de York.
Segundo os cientistas, entender a evolução genética é importante para antecipar de que forma as espécies estudadas irão responder às mudanças climáticas do ambiente, visto que a natureza costuma usar as mesmas soluções biológicas para adversidades.
