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Saiba a importância do sangue do caranguejo-ferradura para os humanos

Diferentemente da maioria, o sangue do caranguejo-ferradura é azul. Além disso, o animal existe na Terra antes mesmo dos dinossauros

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1 de 1 Imagem colorida mostra Caranguejo ferradura na areia - Metrópoles - Foto: Heather Paul/Getty Images

Quem o vê no mar pensa que é apenas um animal estranho, mas mal sabe que algo no corpo dele é essencial para os seres humanos. O sangue do caranguejo-ferradura (Limulus polyphemus) é usado na produção de vacinas, medicamentos e materiais hospitalares, como seringas e cateteres.

E o mais curioso: o sangue caranguejo-ferradura é azul. Isso acontece por causa da proteína hemocianina, que é rica em cobre. Em humanos, a proteína responsável por transportar oxigênio possui ferro, resultando na cor vermelha.

Para a indústria farmacêutica, o que mais interessa na corrente sanguínea do bicho é a substância lisado de amebócitos do limulus (LAL). Em testes para a produção de produtos farmacêuticos e hospitalares, ela tem a capacidade de detectar quantidades, mesmo que minúsculas, de endotoxinas – toxinas liberadas por certas bactérias perigosas.

“O reagente é utilizado pela indústria farmacêutica para fazer o teste de esterilidade de tudo que será injetado ou implantado no corpo humano. Graças a esse pequeno animal, milhões de procedimentos médicos são feitos com a segurança necessária todos os anos”, destaca a professora de biologia Elissandra Andrade, do Colégio Católica Brasília.

“Fóssil vivo”

Muito antes dos dinossauros, há cerca de 450 milhões de anos, o caranguejo-ferradura já estava presente na Terra. Além de sobreviver a cinco extinções em massa, o animal teve poucas mudanças morfológicas ao longo do tempo. Ele é considerado um fóssil vivo, podendo ajudar a compreender como aconteceu a evolução animal.

“O sangue dele contém amebócitos, células que detectam endotoxinas bacterianas e desencadeiam uma coagulação rápida. Essa resposta forma uma barreira gelatinosa que isola e neutraliza patógenos, protegendo o animal de infecções em ambientes marinhos ricos em bactérias”, explica o oceanógrafo Ricardo Cardoso, do Aquário de São Paulo.

De acordo com Cardoso, a hemocianina sanguínea também permite que o caranguejo respire em condições de baixo oxigênio, característica comuns em seu habitat natural.

Caranguejo fake

Encontrado nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, o caranguejo é um animal relativamente pequeno, podendo chegar de 38 a 48 cm, a depender do sexo. Ele é achado com mais frequência em águas costeiras rasas com areia fofa ou lamacenta, pois adora se enterrar. O comportamento serve para se alimentar e se proteger de possíveis predadores.

caranguejo-ferradura
Imagem mostra extração do sangue azul do caranguejo-ferradura

Além de comer vermes e moluscos, o habitante marinho pode consumir restos de organismos mortos, promovendo a reciclagem de matéria orgânica marinha. As informações são do AquaRio, maior aquário marinho da América do Sul.

Apesar do nome, o caranguejo-ferradura não tem nenhuma relação com os crustáceos. Na verdade, ele pertence à classe dos artrópodes e ao filo dos quelicerados, sendo mais próximo de aranhas e escorpiões.

Importância da conservação

Apesar de importante para os humanos, a utilização constante do sangue dos artrópodes tem prejudicado sua sobrevivência. Na hora da extração, os animais não são mortos e vão vivos para os laboratórios. No entanto, muitos não resistem durante o transporte de volta para casa. A espécie já é listada como vulnerável em algumas regiões pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na tradução em inglês).

Uma das principais alternativas para evitar o comprometimento do animal é substituição do sangue por outras tecnologias, como no caso do o fator C recombinante (rFC), método criado para replicar a função da LAL em laboratório.

“Do ponto de vista conservacionista, é essencial implementar regulamentações rigorosas, limitar a coleta, proteger habitats costeiros e incentivar o uso de substitutos sintéticos. Algumas ONG’s ambientais já pressionam autoridades por proteções legais e mudanças na indústria para evitar a extinção da espécie”, ressalta Cardoso.

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