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Ciência

IA cria, pela primeira vez, 16 vírus que não existiam na natureza

Pesquisadores conseguiram treinar a inteligência artificial para criar o genoma de vários vírus viáveis que não existiam

06/08/2026 19:19
Arc Institute/Reprodução
Ilustração mostra um bacteriófago, um tipo de vírus - Metrópoles

Pesquisadores do Arc Institute e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, conseguiram treinar uma inteligência artificial para que ela criasse o genoma completo de um vírus. Pela primeira vez na história, a tecnologia conseguiu inventar um DNA viável para que o organismo se reproduza e infecte hospedeiros.

O estudo foi publicado nesta quinta (6/8) na revista Science e é considerado um marco. Os cientistas apresentaram o material genético de milhões de vírus para a IA, que conseguiu prever uma sequência de bases nitrogenadas viável — são as “letras” do DNA.

A IA, chamada de Evo, reproduziu, inicialmente, um bacteriófago, um vírus bem estudado, de 5,4 mil letras. Os vírus são organismos muito simples, e muitos pesquisadores sequer o consideram um ser vivo. Para comparação, o genoma humano tem 3 bilhões de bases nitrogenadas.

Depois, o Evo inventou milhares de propostas de novos vírus que não existem na natureza a partir do original. Os cientistas escolheram os que pareciam viáveis, e 300 deles foram sintetizados em laboratório. Dezesseis vírus funcionaram, conseguiram se multiplicar e até destruir bactérias E.coli.

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Quando foram colocados perto de bactérias resistentes ao organismo inicial, que “inspirou” a criação dos organismos sintéticos, os novos vírus conseguiram vencer a resistência. Para os cientistas, isso sugere que o Evo pode ajudar a criar opções de tratamento contra bactérias resistentes a medicamentos.

Segurança é essencial

Os pesquisadores ressaltam que este tipo de trabalho deve ser acompanhado por profissionais de segurança biológica. Não foram apresentados ao Evo vírus que infectam humanos, outros animais, plantas ou fungos — a medida foi considerada essencial para garantir que a tecnologia não desenharia patógenos perigosos.