Homossexualidade em primatas é influenciada pelo ambiente, diz estudo
Estudo identifica comportamentos homossexuais em 59 espécies de primatas, o que indica haver uma “raiz evolutiva profunda”
atualizado
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O comportamento homossexual em primatas tem raízes evolutivas profundas e é mais provável de ocorrer em espécies que vivem em ambientes hostis, são ameaçadas por predadores ou vivem em estruturas e hierarquias sociais mais complexas, revelou um estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.
“A diversidade de comportamentos sexuais é muito comum na natureza, entre espécies e em sociedades animais. É tão importante quanto cuidar da prole, lutar contra um predador ou buscar alimentos”, explicou o cientista Vincent Savolainen, autor principal do estudo liderado por pesquisadores do Imperial College London, à agência de notícias AFP.
Comportamentos sexuais entre indivíduos do mesmo sexo já foram registrados em mais de 1,5 mil espécies animais. Estudos recentes mostraram que essa característica possui um componente hereditário e pode proporcionar uma vantagem evolutiva.
Nos macacos rhesus de Porto Rico, que Savolainen estuda há oito anos, os machos que mantêm relações sexuais entre si podem formar grupos, o que pode lhes permitir acesso a mais fêmeas e, consequentemente, ter mais descendentes.
Mais comum em ambientes hostis
Savolainen e seus colegas vasculharam a literatura científica para reunir dados existentes sobre 491 espécies de primatas não humanos. Eles identificaram comportamentos homossexuais em 59 delas, incluindo lêmures, grandes símios e macacos da América, da África e da Ásia.
Dessas 59, 23 apresentaram casos muito repetitivos que chamaram a atenção dos cientistas. Uma disseminação tão ampla indica que esse comportamento tem uma “raiz evolutiva profunda”, afirmam. Os pesquisadores investigaram então como o meio ambiente, a organização social e a “história de vida” influenciam o envolvimento de primatas em atos homossexuais.
Eles descobriram que o comportamento é mais comum em espécies que vivem em ambientes hostis com escassez de alimentos, como os macacos-de-gibraltar, e em espécies com maior probabilidade de serem caçadas por predadores – os macacos-vervet, por exemplo, precisam evitar todos os tipos de grandes felinos e cobras na África.
O comportamento homossexual também é mais comum em espécies com diferenças de tamanho ou aparência entre machos e fêmeas (como o gorila-das-montanhas), ou naquelas com longa expectativa de vida (como os chimpanzés), e naquelas com sistemas sociais e hierarquias complexas (como os babuínos-da-guiné).
No caso do gorila-das-montanhas, os machos são mais altos e geralmente pesam o dobro das fêmeas; no caso dos chimpanzés, alguns vivem até 60 anos; e os babuínos-da-guiné, por exemplo, acasalam-se com fêmeas quando os machos estão reprodutivamente ativos, mas, quando jovens ou velhos, acasalam-se mais com outros machos.
