Estudo: grilos feridos cuidam das próprias antenas e podem sentir dor
Pesquisa australiana mostra que, quando feridos, os grilos cuidam da região de forma sustentada, o que indica que sentem dor
atualizado
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Tentando responder uma pergunta recorrente na ciência, pesquisadores australianos da Universidade de Sydney sugerem que insetos podem, sim, sentir dor. O estudo, que testou a teoria em grilos, foi publicado na última semana na revista Proceedings of The Royal Society B.
Os animais foram divididos em três grupos. Os cientistas encostaram uma sonda a 65 °C em uma das antenas de grilos de um dos grupos. Outra parte dos insetos não recebeu nenhuma intervenção, a última teve uma sonda em temperatura ambiente encostada no corpo.
Os grilos que foram expostos ao calor começaram a proteger e tentar limpar a região da antena atingida, em uma resposta prolongada. Segundo os pesquisadores, a ação mostra o conceito de “autoproteção flexível”, uma das principais formas de perceber sinais de dor em animais.
“Se vemos um cachorro mancando ou lambendo a pata machucada, imediatamente entendemos aquilo como um sinal de dor. A questão é: por que hesitamos em fazer a mesma inferência quando observamos insetos?”, pergunta o cientista Thomas White, um dos autores do estudo, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
A discussão sobre se os insetos sentem dor ou não vem aumentando nos últimos anos, principalmente com o aumento da criação de animais para compor ração animal e até alimentação humana.
Enquanto cada vez mais pesquisas mostram insetos tendo reações a estímulos de dor e estresse, cientistas lembram que cefalópodes e crustáceos comprovadamente sofrem quando feridos e que eles e os insetos compartilham ancestrais em comum.
“Se eles são capazes de ter vidas melhores ou piores, então precisamos levar isso em consideração”, afirma White.
