Extinção de pescados pode levar comunidades litorâneas à desnutrição

Estudo com comunidades do Nordeste aponta que sumiço de pescados pode diminuir em mais de 70% a riqueza nutricional da dieta deles

atualizado

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Famílias pesqueiras do litoral nordestino podem sofrer com a desnutrição, caso a oferta de espécies marinhas diminua devido às mudanças climáticase as pressões causadas pelo crescimento da pesca comercial. Como consequência da carência nutricional, essas comunidades podem sofrer com problemas de anemia, doenças cardiovasculares e condições cognitivas.

A desnutrição está ligada a dois fatores: os pescados obtidos por essas comunidades é a principal fonte de proteína animal, atrás apenas de ovos e frangos; e são desses alimentos que vem grande parte dos nutrientes essenciais para as famílias pesqueiras nordestinas, como cálcio, selênio e ômega-3.

Todas as descobertas foram lideradas por pesquisadores da Rede Integramar, na qual fazem parte as universidades federais do Rio Grande do Norte (UFRN), do Pará (UFPA) e de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. Instituições internacionais também participaram do estudo.

Os resultados do trabalho foram publicados na revista People and Nature em 15 de março.

A importância dos pescados para as comunidades litorâneas

Há dois anos, os pesquisadores entrevistaram 111 famílias pesqueiras de seis comunidades espalhadas pelos estados do Rio Grande do Norte e Pernambuco. Ao compilar os dados, foram listadas 122 espécies mais capturadas pela pesca comercial e artesanal.

Em seguida, baseados em atributos de tamanho, vulnerabilidade e nível na cadeia alimentar, os pesquisadores simularam o potencial de extinção dos pescados em possíveis cenários climáticos futuros.

Segundo os resultados, se 25% das espécies de peixes sumirem, os nutrientes presentes na dieta das famílias cairiam em mais de 70%. Se a extinção atingir os exemplares mais nutritivos, a queda nutricional ultrapassaria os 90%. 

Imagem colorida de sardinha - Metrópoles
Sardinha é um dos peixes mais nutritivos consumidos entre as comunidades litorâneas

Cerca de 30% a 40% da proteína animal consumida pelas comunidades pesqueiras é composta por pescados. Eles são fontes de nutrientes essenciais, como cálcio, selênio, ferro e ômega-3. Sem as fontes dos “combustíveis” na dieta, os indivíduos ficam mais vulneráveis a doenças.

Em comunicado, um dos autores do estudo, Fabrício Albuquerque, aponta que o sumiço de certas espécies marinhas não deixarão as famílias vulneráveis à fome, mas as chances de carência nutricional aumentam.

“Ainda restarão outras opções de alimentos, mas [as comunidades pesqueiras] podem ficar mal nutridas. Ou seja, não se trata apenas de comida na mesa, mas da qualidade dessa comida”, explica o pesquisador da UFRN.

Albuquerque afirma ser de suma importância a criação de programas de conservação para espécies de alto valor nutricional, como peixes papagaio e sardinhas, e áreas de recifes e manguezais, onde vivem vários tipos de pescados essenciais para as comunidades pesqueiras.

“A perda de biodiversidade atinge de forma desigual quem mais depende dela. Assim, proteger os peixes do Nordeste brasileiro é também proteger as pessoas que vivem do mar e sua cultura”, alerta o especialista.

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