Lixo marinho transportou óleo derramado no Nordeste até os EUA
Estudo brasileiro aponta que óleo viajou 8,5 mil km em um período de 240 dias. Descoberta é um alerta para o crescimento da poluição no mar
atualizado
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Pesquisadores brasileiros identificaram que um óleo derramado na costa do Nordeste brasileiro em 2019 percorreu 8,5 mil km e chegou à Flórida, nos Estados Unidos. A “viagem” durou cerca de 240 dias e aconteceu devido aos lixos plásticos presentes no mar.
De acordo com os cientistas, raramente o petróleo viaja mais de 300 km do ponto em que caiu no oceano. Porém, ao se envolver com os detritos plásticos, o óleo conseguiu permanecer inalterado, sem passar por processos físicos, químicos e biológicos capazes de evaporá-lo ou degradá-lo.
A consequência causada pela relação entre o lixo plástico e o óleo foi classificada pelos cientistas como “efeito aditivo de contaminantes”.
A descoberta foi liderada por pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com instituições internacionais. Os resultados foram publicados na revista Environmental Science & Technology em 7 de janeiro.
“Demonstramos um efeito aditivo de contaminação, no qual a poluição plástica facilita o transporte de longo alcance da poluição por petróleo. Essas descobertas ressaltam que as contribuições regionais para o oceano global podem ter impactos transfronteiriços”, escrevem os autores no artigo.
A viagem internacional do óleo
Por vários meses, entre o fim de maio até setembro de 2020, diariamente diversas garrafas de vidro e plástico com tampa chegavam à costa de Palm Beach, uma cidade na Flórida. Elas estavam parcialmente ou totalmente cobertas por resíduos pretos de óleo. As que tinham rótulos visíveis tinham escritas em português, espanhol e inglês.
Fardos de borracha parecidos com outros encontrados na costa nordestina no ano anterior também apareceram em Palm Beach em 2020.
Ao investigar ambos os eventos, os pesquisadores comprovaram que os dois estavam conectados e se tratavam de uma espécie de “migração de poluição marítima” entre o Brasil e os Estados Unidos.
A descoberta serve como um alerta mundial para acelerar a criação de medidas para limpar os oceanos e retirar detritos plásticos dos mares, visto que foi comprovada a capacidade deles transportarem a poluição de um lado para o outro com certa facilidade.
