Expedição brasileira investiga algas da costa brasileira até a Antártica
A investigação da expedição sobre as condições das algas marinhas ocorre pela capacidade delas de ajudar a identificar alterações no ambient

A primeira expedição do projeto “Algas & Clima – Dinâmicas da biodiversidade das algas sob os efeitos das mudanças climáticas” partiu de Florianópolis na segunda-feira (26/10). A iniciativa é uma parceria entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros e tem como objetivo principal investigar os impactos que as mudanças climáticas têm provocado nessas espécies da costa brasileira até a Antártica.
Segundo os pesquisadores, o interesse nas condições das algas marinhas se dá especialmente pela capacidade delas de ajudar a identificar alterações no ambiente, como a presença de poluentes e o próprio efeito das mudanças climáticas.
As algas marinhas são essenciais para os ambientes onde vivem, pois estão presentes em diversos ecossistemas, ajudando na produção de oxigênio, servindo de abrigo e alimento para várias espécies e participando do ciclo do carbono.
O projeto é coordenado pelo professor Pio Colepicolo, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), e conta com a participação de 35 grupos de pesquisa do Brasil e de outras partes do mundo. A iniciativa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAlém de avaliar os impactos do clima nas algas, os cientistas pretendem fazer levantamentos de novas espécies, o potencial delas para a geração de créditos de carbono e o monitoramento de poluentes.
As algas antárticas, em especial, sobrevivem em condições extremas e sua composição química pode conter substâncias com potencial para serem aproveitadas no campo da saúde, como no desenvolvimento de novos medicamentos ou terapias. Por isso, os pesquisadores também irão investigar o potencial biotecnológico delas.
Uma das algas antárticas que mais chamam a atenção é a Phaeurus antarcticus, a qual os pesquisadores pretendem sequenciar seu genoma. Em pesquisas iniciais, a espécie demonstrou resultados promissores para combater a atividade do parasita causador da leishmaniose, a Leishmania.
A expectativa é que o projeto dure até sete anos, coletando amostras de algas no Brasil, em canais do sul do Chile e na Antártica. Em alguns desses locais, já tinham sido realizados estudos anteriores, e o retorno ajudará a fazer um monitoramento mais amplo.
“A comparação dos levantamentos prévios permitirá comprovar se o aquecimento, a acidificação da água e a ação humana realmente reduziram o número de espécies ou alteraram a abundância das algas”, destaca Colepicolo em entrevista à Agência Fapesp.
