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Ciência

Corais mostram que El Niño está ficando mais forte com mudanças climáticas

Estudo com corais de Galápagos mostra que a temperatura dos mares sofreu variações mais frequentes depois da Revolução Industrial

01/09/2026 02:00
Justin Lewis/ Getty Images
Foto subaquática, colorida, de corais coloridos que passam por processo de branqueamento - Metrópoles

Um estudo publicado na última semana na revista científica Science estudou corais para mostrar que o El Niño está ficando mais frequente e mais forte por causa das mudanças climáticas. Os cientistas descobriram que as variações de temperatura nos corais de Galápagos aumentaram 36% nos últimos 40 anos.

Foram analisados fósseis e esqueletos de corais para remontar a situação da superfície do mar nos últimos mil anos. A pesquisa descobriu que o último século teve El Niños fortes com mais frequência do que antes da Revolução Industrial, quando gases gerados por humanos começaram a esquentar o planeta.

O El Niño de 2026, por exemplo, é o terceiro evento forte em apenas 11 anos, algo que nunca aconteceu antes. O fenômeno aquece as águas do Pacífico, mudando os ventos e a formação de chuva — no Brasil, as chuvas podem se tornar mais fortes; as ondas de calor, mais frequentes; e o clima, mais seco.

O Super El Niño acontece quando a temperatura da superfície do mar aumenta dois graus Celsius em relação ao normal. Nos últimos 150 anos, o fenômeno ocorreu quatro vezes — estima-se que, em 2026, acontecerá novamente.

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Como os corais podem contar a história dos mares

Corais são particularmente úteis para entender a temperatura dos mares, pois relatam, mês a mês, o crescimento e mudanças dos animais. Eles constroem seus esqueletos com o carbonato de cálcio presente na água ao redor.

Quando a água está mais quente, o carbonato captura menos átomos de estrôncio, que são medidos pelos cientistas. Ainda é considerada a quantidade de oxigênio pesado, que também indica a temperatura da água.

Os corais de Galápagos são duplamente especiais, pois o Pacífico é considerado o “coração” do El Niño, onde o oceano se aquece para que o fenômeno comece.

“Este sistema é a maior fonte de extremos climáticos em nosso planeta. Se ele próprio está se tornando mais extremo, isso traz implicações muito sérias para a sociedade — e são informações sobre as quais deveríamos agir”, afirma a pesquisadora Julia Cole, principal autora do artigo, em entrevista à Science.