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Ciência

El Niño eleva temperatura dos oceanos e supera recorde de 2024

Com o calor extra injetado pelo El Niño em 2026 no planeta, a temperatura dos oceanos bateu o recorde de 2024

25/08/2026 14:47, atualizado 25/08/2026 14:48
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Imagem colorida do oceano - Metrópoles

À medida que o El Niño deste ano injeta calor extra no planeta, as temperaturas dos oceanos têm aumentado e atingido marcas recordes.

De acordo com dados divulgados pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, principal programa da União Europeia que divulga informações sobre o clima, em 2026, as temperaturas dos oceanos já estão maiores do que o último recorde registrado em 2024.

O Copernicus apontou que a média diária da temperatura da superfície do mar no oceano global extrapolar às latitudes 60°S e 60°N — em 2024 estava na faixa amarela; em 2025 atingiu a laranja; e em 2026 chegou à faixa vermelha. A média de anos anteriores, entre 1979 e 2023, estava na faixa cinza, como mostra o gráfico abaixo.

El Niño eleva temperatura dos oceanos e supera recorde de 2024 - destaque galeria
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ERA5 mostram a evolução das faixas de alerta sobre o aquecimento dos oceanos
Anomalias na temperatura da superfície do mar em 22 de agosto de 2026
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Anomalias na temperatura da superfície do mar em 22 de agosto de 2026

Reprodução/C3S/ECMWF.
ERA5 mostram a evolução das faixas de alerta sobre o aquecimento dos oceanos
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ERA5 mostram a evolução das faixas de alerta sobre o aquecimento dos oceanos

Reprodução/C3S/ECMWF.

Aumento da temperatura dos oceanos desde 2024

A confirmação das temperaturas mais elevadas foi divulgada no sábado, 22 de agosto, e apontou que as medições registraram 21,1 graus Celsius (ºC), em relação à marca anterior de 2024, que era de 21,09ºC.

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Os especialistas alertam que o recorde atingido é preocupante, pois as temperaturas globais dos oceanos geralmente registram alta entre os meses de março e abril, verão austral; no entanto, a marca foi obtida em agosto, um dos meses centrais do inverno austral. Isso reflete o aquecimento contínuo dos oceanos aliado ao fenômeno do El Niño extremo no Pacífico tropical.

“Este recorde é mais um sinal claro de um oceano sob crescente pressão. O El Niño está adicionando calor ao sistema, mas está fazendo isso além de décadas de aquecimento causado pela ação humana. À medida que as temperaturas oceânicas continuam a subir, os riscos para os ecossistemas marinhos e as comunidades costeiras também aumentam”, disse Samantha Burgess, Líder Estratégica para o Clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), em comunicado.

Samantha complementa que as consequências já são visíveis, pois o número de dias de ondas de calor marinhas em todo o mundo mais que triplicou desde o início da década de 1990, exercendo uma pressão crescente sobre os ecossistemas marinhos e as comunidades que dependem deles.

Além disso, este recorde supera também os valores de 2023, os quais eram de 20,98°C.

Possibilidades de um El Niño muito intenso

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em divulgação feita neste mês de agosto, há uma previsão da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) que indica até 95% de chance de um El Niño muito intenso nos próximos meses de 2026 e no início de 2027.

As estimativas da NOAA mostram que há uma probabilidade de 69% de que a intensidade do fenômeno seja a maior registrada desde 1950. Isso pode ocorrer por conta do cenário atual de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, onde o El Niño se forma, que pode ser igual ou superior a 2,5ºC nos trimestres setembro-outubro-novembro (SON), outubro-novembro-dezembro (OND) e novembro-dezembro-janeiro (NDJ).