Escudo de Chernobyl atacado por drones precisa de reparos urgentes
Após ataques de drone em fevereiro, estrutura de aço conhecida como escudo de Chernobyl foi danificada, prejudicando contenção da radiação
atualizado
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De acordo com avaliação realizada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o escudo de proteção da usina de Chernobyl, na Ucrânia, perdeu suas “funções primárias de segurança”, deixando sua capacidade de bloquear totalmente a radiação comprometida. A constatação da entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) foi feita neste mês.
O prejuízo no funcionamento do Novo Confinamento Seguro (NSC, na tradução em inglês) aconteceu devido à guerra entre Rússia e Ucrânia. Em fevereiro deste ano, a estrutura foi atingida por ataques de drone, gerando um grande incêndio e danificando a parte externa do escudo.
O NSC é uma estrutura feita de aço, com mais de 100 metros de altura e 250 metros de comprimento. A obra, concluída em 2016, tem como objetivo isolar as toneladas de material radioativo presentes na região. Com a função comprometida, a proteção diminui.
Segundo a AIEA, estruturas de suporte de carga e sistemas de monitoramento não sofreram danos permanentes, porém a capacidade de segurar as partículas no escudo sofreu prejuízos.
“Precisamos entender também qual tipo de material ainda está exposto em Chernobyl. O maior risco é que pequenas partículas radioativas sejam espalhadas pelo ar. Caso se consiga conter essas partículas, o risco para o entorno não é grande”, avalia o professor Alexandre Bergantini, do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (OV-UFRJ).
Para o especialista, além do vento, o maior risco das partículas saírem da zona de segurança do escudo é o contato com a chuva. “O ar pode espalhar as pequenas partículas radioativas, enquanto o material pode ser arrastado com a água da chuva e se concentrar no solo, nos rios, córregos e lagos”, aponta o pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira.
Na iminência dos riscos, o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi, afirmou que já foram feitos reparos temporários, mas há a necessidade de medidas mais fortes urgentemente. “A restauração completa e em tempo hábil continua sendo essencial para evitar maiores danos e garantir a segurança nuclear no longo prazo”, disse Grossi.
Além da restauração do escudo, a AIEA aponta que são necessárias medidas de restauração no controle de umidade e modernizar o sistema de monitoramento automático do local.
A expectativa é de que no ano que vem o complexo de Chernobyl passe por reparos temporários para fortificar a região diante dos perigos da guerra. As restaurações completas só poderão ser realizadas após o fim do conflito.
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