Entenda por que rotas marítimas ainda são tão disputadas

Mesmo na era da tecnologia, as rotas marítimas ainda são alvo de disputas e conflitos entre os países

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Mesmo diante de tantos avanços tecnológicos, corredores geográficos existentes desde os primórdios das civilizações ainda continuam sendo essenciais. Através das rotas marítimas, os países se conectam e podem fazer negócios lucrativos. Estima-se que 80% das mercadorias comercializadas globalmente chegam até seus destinos por via naval.

“Na era da tecnologia, o que mudou não foi a necessidade do mar, mas sim a eficiência de como navegamos (com GPS, automação e navios muito maiores) e claro, a especialização do uso de contêineres”, avalia o professor de geopolítica Flávio Bueno, do Colégio Sigma, em Brasília.

Entre os caminhos mais visados nos mares, estão aqueles com localização estratégica, que diminuam o percurso e, consequentemente, os custos da viagem. 

Os principais exemplos disso são os choke points, passagens estreitas e estratégicas para transporte, comércio e poder bélico. Veja os mais importantes abaixo:

  • Estreito de Ormuz, no Oriente Médio: é essencial para o transporte de petróleo global.
  • Estreito de Malaca, no Sudeste Asiático: canal de ligação entre o Oceano Índico e o Pacífico e que é essencial para os objetivos da China.
  • Canal de Suez, no Egito, e Canal do Panamá: são rotas marítimas artificiais, importantes para economizar semanas de viagem.

Além disso, as rotas para navegação são escolhidas levando em consideração as condições de navegação. “Existem regiões onde as correntes marítimas favorecem a navegação, ajudando no deslocamento dos navios, e outras que geralmente são evitadas para não comprometer a eficiência. Em resumo, as rotas são definidas levando em conta fenômenos naturais do oceano”, explica o oceanógrafo Edmo Campos, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO).

“Quem controla o mar, controla o fluxo de riqueza”

A fala dita pelo historiador Alfred Mahan, em meados do século 19, evidencia até hoje a importância dos oceanos para a geopolítica. Ter o controle de rotas marítimas estratégicas coloca governos em posições privilegiadas em relação aos demais, além de aumentar o poder de barganha em possíveis negociações. 

“Os países dominantes das passagens estratégicas, como o Egito com Suez, ganham assento prioritário em mesas diplomáticas. Em caso de conflito, também há a alternativa da marinha local bloquear o suprimento de energia ou alimentos do adversário, uma ‘arma silenciosa’ muito mais eficaz que muitos bombardeios”, exemplifica Bueno.

Os poderes por trás do domínio das rotas marítimas já provocaram conflitos e seguem causando disputas até os dias atuais, como no caso da disputa entre os Estados Unidos e a Dinamarca pela Groenlândia. A localização da ilha é considerada estratégica militarmente e economicamente.

Na contramão dos outros países, o Brasil segue investindo mais em transporte rodoviário do que ferroviário e marítimo, o que torna o processo mais custoso e diminui a eficiência da logística.

Mudanças climáticas abrem novos caminhos no Ártico

Com o avanço do aquecimento global, lugares onde o gelo era predominante antes, não serão mais. A expectativa é que as mudanças climáticas abram ainda mais duas vias importantes: a Passagem do Nordeste (acima da Rússia) e a Passagem do Noroeste (acima do Canadá). Como consequência, o tempo de viagem reduz e os custos também.

“Estamos observando uma rápida retração da cobertura de gelo marinho no Ártico.Tudo indica que até 2040 poderemos ter uma rota aberta no que chamamos de Passagem do Nordeste, que liga a Escandinávia à Coreia ao longo da costa norte da Sibéria”, aponta o glaciologista Jefferson Simões, membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
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Aquecimento global tem tornado rotas marítimas no Ártico mais abertas

Alguns países, especialmente a Rússia, conseguem navegar por passagens congeladas através de quebra-gelos, uma embarcação projetada com o casco forte, proa inclinada e motor potente para romper as camadas de gelo. No entanto, esses navios têm alto custo.

“Se essas novas rotas realmente se consolidarem, estima-se uma redução de cerca de 10 mil quilômetros na distância entre a Europa e o Oriente. Isso pode representar uma economia aproximada de 100 mil dólares por navio”, diz Simões.

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