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Groenlândia não é tão grande quanto parece. Entenda a distorção. Veja vídeo

Normalmente, a Groenlândia é representada nos mapas mundo a fora bem maior com o condizente à realidade. Veja o tamanho real

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Ilustração colorida mostra mapa mundi - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida mostra mapa mundi - Metrópoles - Foto: Freepik

A disputa pelo comando da Groenlândia, uma região autônoma pertencente ao reino da Dinamarca, tomou conta do noticiário nas últimas semanas. O curioso é que quando você vai localizar a região no mapa, ela parece ser muito grande, maior até que a América do Sul. No entanto, apesar de ser a maior ilha do mundo, ela possui um pouco mais de 2 milhões de km² – tamanho comparável à soma da extensão do Amazonas e Minas Gerais. 

Segundo especialistas entrevistados pelo Metrópoles, a distorção geográfica está ligada à projeção de Mercator, a forma comumente utilizada em aplicativos como Google Maps e livros escolares. Nela, o plano cartográfico prioriza as formas e despreza as distâncias reais, criando tamanhos no mapa fora da realidade — como a Groenlândia sendo quase do tamanho do Brasil.

“A Groenlândia possui 2,16 milhões de km². No mapa de Mercator, ela parece maior que a América do Sul (que tem 17,8 milhões de km²) e a Austrália (7,69 milhões de km²). Na realidade, a América do Sul é quase oito vezes maior que a ilha. Essa distorção cria uma falsa equivalência de massa de terra que, por séculos, privilegiou a estética do norte global em detrimento das proporções reais do sul global”, explica o professor de geografia e geopolítica Flávio Bueno, do Colégio Sigma, em Brasília.

Ele explica que, apesar de ser tecnicamente brilhante, a projeção de Mercator é claramente eurocêntrica – ou seja, prioriza mostrar o lado europeu como maior e, consequentemente, “mais forte” ao mundo.

Distorção cartográfica influencia a percepção de poder e importância do território

Mesmo sendo a maior ilha do mundo, a percepção dos especialistas é que a disputa ferrenha sobre seu comando pode também estar ligada à distorção cartográfica, que passa a impressão de que a região é uma barreira gigante e intransponível, quando na verdade é totalmente o contrário.

Para Bueno, essa distorção pode ser uma das motivações que fazem os Estados Unidos estarem tão interessados na anexação da ilha ao país, por exemplo.

“O governo norte-americano não enxerga a Groenlândia como uma província dinamarquesa, mas como um escudo continental, repleta de recursos naturais sensíveis à atual dinâmica produtiva global”, diz o professor.

Por que a Groenlândia está sendo tão disputada?

A disputa entre a Europa, que tem o atual domínio da região através da Dinamarca, e os Estados Unidos nada mais é que um novo capítulo na disputa geopolítica por riquezas naturais em terras raras espalhadas pelo mundo.

Além disso, o interesse norte-americano na ilha também não é novo: o país já tentou “comprar” a Groenlândia em 1946 e, mais recentemente, em 2019, no primeiro mandato presidencial de Donald Trump.

Imagem de Trump fincando bandeira dos EUA na Groenlândia
Trump publica imagem ficando bandeira dos EUA na Groenlândia

Além de ser uma região com diversos depósitos de minerais essenciais para a indústria de semicondutores e baterias, a localização da Groenlândia entre entre o Oceano Ártico e o Oceano Atlântico Norte é considerada estratégica militarmente e economicamente para qualquer um, especialmente para os Estados Unidos com a expansão chinesa nos últimos anos. 

“Com a aceleração do aquecimento atmosférico, observamos uma redução significativa da área coberta por gelo marinho. A abertura do oceano para a navegação em superfície tem várias consequências. Além disso, o Ártico representa a menor distância entre Rússia, China e Estados Unidos, o que torna a região ainda mais estratégica”, aponta o glaciologista Jefferson Simões, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Para Simões, o interesse pela Groenlândia é mais um passo para a “corrida pelo Ártico”, um termo que faz referência à disputa geopolítica pelo controle dos recursos naturais e novas rotas marítimas que estão aparecendo pelo oceano devido às mudanças climáticas.

Com a abertura forçada pelo aquecimento global de novos caminhos, navios podem explorar riquezas em lugares que antes não podiam chegar. “O que acontece no Ártico não fica restrito à região: afeta todo o planeta, seja pelas mudanças climáticas, seja pelas implicações econômicas”, finaliza o também membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

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