Dente de 59 mil anos aponta que neandertais tinham cuidados dentários

Segundo um novo estudo, neandertais utilizavam ferramentas de pedra e plantas medicinais para tratar problemas nos dentes à época

atualizado

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Zubova et al., 2026, PLOS One, CC-BY 4.0
Imagem colorida mostra dente de neandertal com oríficio profundo - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra dente de neandertal com oríficio profundo - Metrópoles - Foto: Zubova et al., 2026, PLOS One, CC-BY 4.0

Já imaginou ir a um consultório e ser atendido por um “dentista” neandertal? Caso você estivesse vivo há quase 60 mil anos, existiriam chances do compromisso odontológico ocorrer. Segundo um novo estudo, os humanos primitivos tinham conhecimento para detectar uma infecção dentária e o mais curioso: eles tinham habilidade motora para resolver o problema e descartar o tecido danificado.

Entre os tratamentos dentários da época, estavam ferramentas semelhantes a palitos de dente para a remoção de restos de comida ou cáries e o uso de plantas medicinais – essa ainda não se sabe a finalidade da utilização. O achado veio através de um dente neandertal com cerca de 59 mil anos encontrado na Caverna Chagyrskaya, na Rússia.

A pesquisa foi liderada pelo Museu de Antropologia e Etnografia Pedro, o Grande, da Academia Russa de Ciências (Kunstkamera), em São Petersburgo, também no país russo. Os resultados foram publicados na revista Plos One nessa quarta-feira (13/5).

Ferramenta de pedra e procedimento incômodo: como era tratar uma cárie no período neandertal

O exemplar achado na caverna era um molar. Nele, foi detectado a existência de um orifício profundo se estendo até a câmara pulpar, o que intrigou os cientistas, pois não parecia com lesões típicas já encontradas em Homo sapiens.

Ao fazer testes em três dentes humanos, eles chegaram à conclusão de que um buraco daquela maneira e com os mesmos padrões poderia ser feito perfurando o dente com uma ponta de pedra, uma ferramenta parecida com às achadas na caverna.

“Usar uma ferramenta de pedra fina e afiada é totalmente eficaz, permitindo a remoção rápida do tecido dentário danificado”, afirma uma das autoras do estudo, Lydia Zotkina, em comunicado.

Segundo os especialistas, provavelmente o tratamento foi doloroso, mas ao mesmo tempo aliviou a dor do paciente. O achado demonstra que os neandertais eram capazes de detectar a origem da dor, decidir como tratá-la e aplicar a terapia indicada, enquanto o indivíduo afetado aguentava o incômodo para melhorar posteriormente.

É a primeira vez que a ação de cuidar dos dentes e o comportamento de ser tolerante ao tratamento são identificados em outra espécie a não ser a nossa, os Homo sapiens.

Esta descoberta representa atualmente a evidência mais antiga do mundo de um tratamento dentário bem-sucedido. Os danos documentados no dente neandertal da Caverna Chagyrskaya apontam não apenas para a remoção intencional da polpa, mas também para o desgaste antemortem – um desgaste que só poderia ter ocorrido se o indivíduo continuasse a usar o dente enquanto vivo”, escrevem os pesquisadores no estudo.

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