Coroa-de-cristo: planta comum pode causar lesões nos olhos e cegueira
A coroa-de-cristo é muito usada em jardins e ruas, mas contato com a seiva pode causar queimaduras e danos à visão

É comum encontrar plantas ornamentais em calçadas, jardins e cercas vivas que chamam atenção pelas cores. Nem todas, porém, são inofensivas. A coroa-de-cristo, bastante usada no paisagismo urbano, pode provocar irritações na pele e até lesões graves nos olhos.
Conhecida cientificamente como Euphorbia milii, a espécie tem espinhos e produz uma seiva leitosa com substâncias irritantes. O contato direto com o líquido pode afetar a pele, mucosas e, em casos mais graves, comprometer a visão.
Planta ainda presente em cidades
A coroa-de-cristo já foi mais comum no Brasil, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, quando era amplamente utilizada como cerca-viva. Segundo o biólogo e botânico Guilherme Bordignon Ceolin, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o cultivo diminuiu, mas a planta segue presente.
“A coroa-de-cristo é uma planta ornamental relativamente comum no Brasil. Ela era usada por ser resistente e ter muitos espinhos, o que ajudava na proteção de muros”, explica.
Hoje, ela aparece com mais frequência em vasos e pequenos jardins, sobretudo em áreas urbanas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesRiscos vão além dos espinhos
Apesar do aspecto decorativo, a planta exige cuidado. Além dos espinhos, que podem causar ferimentos, a seiva é o principal motivo de preocupação.
“O látex da planta pode causar reações na pele, com vermelhidão, coceira e até bolhas, dependendo da sensibilidade da pessoa”, diz Ceolin. Ele acrescenta que a exposição ao sol após o contato pode agravar a irritação e provocar queimaduras.
Se a substância atingir a boca ou for ingerida, pode causar náuseas, vômitos e outros sintomas gastrointestinais.
Contato com os olhos exige atenção imediata
O maior risco está no contato com os olhos. Segundo a pesquisadora Ana Flavia Alvarenga Bitencourt, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), há possibilidade de lesões sérias.
“Há risco real de lesões graves ou até de perda de visão. O quadro mais comum é a ceratouveíte, que causa dor, queimação, inchaço e visão embaçada”, afirma.
Ela explica que, em situações mais graves e sem tratamento rápido, podem ocorrer danos importantes à córnea. “Já foram descritos casos com redução da visão e até cegueira permanente quando não houve atendimento adequado”, diz.
Os sintomas costumam surgir poucos minutos após o contato e incluem dor intensa, lacrimejamento e dificuldade para manter os olhos abertos.
O que fazer em caso de acidente
A orientação é agir rapidamente. Segundo Ana Flávia, é fundamental lavar imediatamente com água ou soro fisiológico e procurar atendimento oftalmológico. Na pele, a recomendação é lavar a área com água e sabão. Já em casos de ingestão ou reações mais intensas, a avaliação médica é indicada.
Para evitar acidentes, especialistas recomendam o uso de luvas e proteção ocular ao manusear a planta, especialmente durante podas.
Embora seja usada como elemento decorativo, a coroa-de-cristo exige cuidado no contato direto. A atenção é ainda mais importante em locais com circulação de crianças e animais, que podem tocar ou manipular a planta sem saber dos riscos.



