Corais branqueados podem "reviver" ao encostar em vizinhos saudáveis
Experimento mostra que, em alguns dias, pontos de contato voltaram a apresentar cor e serviram de local para translante de microalgas

Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, descobriram que corais branqueados, à beira da morte, podem “reviver” em poucas semanas se encostarem em um exemplar saudável. O transplante foi relatado em um estudo publicado nessa quarta (14/10) na revista Science.
O coral saudável doou microalgas para o vizinho branqueado. Elas são as responsáveis pelas cores dos corais, mas também vivem dentro deles e ajudam a nutrir os exemplares.
Com o aquecimento dos oceanos, as microalgas são expulsas dos corais, que perdem a proteção e o alimento. Quando a água continua quente, as microalgas não voltam e o coral eventualmente morre.
No estudo, ao se encostarem, os tecidos dos corais se fundiram e permitiram a passagem das microalgas. Dentro do exemplar branqueado, elas se desenvolveram até 10 vezes mais rápido do que o que acontece na natureza.
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Esta é a primeira vez que o fenômeno é observado. Cinco pares de corais saudáveis e branqueados ficaram encostados, e outros cinco foram separados por uma distância de cinco a sete milímetros.
Todos que tiveram contato se recuperaram — a cor se espalhou a partir do ponto de encontro entre os corais. Os cientistas perceberam que basta uma semana de encontro para que o coral complete a recuperação sozinho depois.
Já os que ficaram separados continuaram brancos por várias semanas. Ao fim do período analisado, de nove semanas, os corais tinham cultivado algas vermelhas e verdes, mas apresentaram necrose do tecido e morreram.
Descoberta pode ajudar recifes de corais branqueados?
Apesar de o estudo ser promissor, os pesquisadores apontam que não é simples recuperar os corais que já estão branqueados na natureza. O teste só incluiu uma espécie e foi feito em aquário, um ambiente controlado.
Além disso, seria complicado encostar corais por semanas em oceano aberto e em extensões longas como um recife.
A equipe agora quer descobrir se é possível entregar as microalgas sem contato direto entre os corais. Os cientistas esperam que os resultados inspirem outras pesquisas para chegar a soluções sobre como precuperar os corais branqueados.
