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“COP da implementação”: o que falta para tirar pautas do papel

Acordos já foram firmados em eventos anteriores e mais propostas deverão surgir durante a COP. Antecipação das medidas pode entrar em pauta

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1 de 1 Imagem colorida mostra pessoa branca desenhando o globo em meio a escrita S.O.S - Metrópoles - Foto: Crispin la valiente/Getty Images

Com o avanço das mudanças climáticas, a Conferência do Clima da ONU (COP30) em Belém, no Pará, torna-se cada vez mais importante. Em edições anteriores de eventos sobre o clima foram firmados acordos visando a diminuição do aquecimento global. No entanto, alguns compromissos climáticos ficaram apenas no aperto de mãos e não foram tirados do papel.

Um dos principais impeditivos é o financiamento climático para essas propostas. Sem recursos, muitos países não têm condições de implementar as ações firmadas.

“Esse é um ponto central da agenda e não é algo novo. Desde a Eco 92, a questão dos recursos financeiros é um dos temas mais relevantes”, aponta o ambientalista Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas da ONG WWF-Brasil.

Outro ponto bastante problemático é como encaixar os interesses de cada um de forma que ninguém saia no prejuízo. Para que as medidas sejam implementadas, alguns países devem abrir mão de privilégios, principalmente os desenvolvidos.

“Todos sabem que é preciso descarbonizar. Por exemplo, eu acredito que até o Donald Trump sabe que a mudança climática é verdadeira. Mas atualmente há um discurso de um grupo de que isso é fake e não está acontecendo nada. E esse grupo tem uma força econômica”, analisa a pesquisadora Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências.

E a discussão não fica apenas entre os países. Para colocar tudo em prática, setores específicos da economia, como as indústrias, também precisam estar dispostos a ajudar. “Esses setores precisam reduzir emissões e mudar seus padrões de produção e consumo, mas isso sempre esbarra na questão de quem paga a conta dessa transição tecnológica e econômica”, explica Prado.

Geopolítica influencia ritmo de implementação

Em um evento mundial, a geopolítica entra em campo. Há uma disputa intensa, principalmente, quando o assunto é a “dívida climática” dos países desenvolvidos. O termo refere-se ao crescimento exacerbado dos mais ricos a partir da poluição do planeta. Por outro lado, as nações em desenvolvimento precisam limitar seu crescimento devido ao clima, além de não ter os meios para investir em tecnologias limpas.

“As mudanças climáticas atingem todo o mundo, sem distinção entre hemisférios norte e sul, sendo países desenvolvidos ou não. No entanto, a emergência climática acarreta riscos e danos desproporcionais àqueles que menos contribuíram para causar a crise climática – especialmente aqueles que vivem no Sul Global”, aponta a pesquisadora Celina Cândida, do Instituto Serrapilheira.
Imagem colorida mostra peças de xadrez em cima de mapa - Metrópoles
Interesses diferentes dos países podem atrapalhar a implementação das propostas climáticas da COP

De acordo com Celina, espera-se que a justiça climática seja um tema de destaque durante a COP30, com uma forte inserção dos povos originários nas discussões. Dependendo do resultado das conversas, o assunto tem forças para barrar ou avançar as propostas climáticas.

Avanços e protagonismo do Brasil na COP

Os especialistas concordam que a antecipação dos compromissos climáticos é essencial. É urgente evitar a elevação de 1,5ºC da temperatura global para que nosso planeta não chegue a um ponto de não reversão climática. Por isso, alguns países relevantes no cenário internacional — incluindo o Brasil e China — já se movimentam para encabeçar ações ambientais mais ágeis.

“Atualmente, a força econômica da China é gigante e mesmo assim estão tentando fazer o que se comprometeram. A primeira vez que fui para lá, não enxergava o céu em Beijing. Hoje, o céu é azul e toda a frota de ônibus é elétrica. O Brasil também está diminuindo o desmatamento. Tanto neste ano quanto no ano passado tivemos bons resultados”, diz a mandatária da Academia Brasileira de Ciências.

Um levantamento com dados do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostrou que o Brasil registrou queda no desmatamento em unidades de conservação na Amazônia. Entre agosto do ano passado e julho deste ano, houve 31% de redução no desmatamento na Amazônia Legal – menor índice desde 2008.

Em comparação ao ano anterior também houve redução no desmatamento do Cerrado, com queda de 45%. A meta brasileira é zerar o desmatamento até 2030.

Durante a COP, o Brasil também encabeçará a implementação do Fundo Tropical das Florestas para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). O projeto visa captar recursos para a criação de um fundo internacional que irá recompensar financeiramente países responsáveis com a preservação de suas florestas.

“O Brasil tem a natureza como um ativo de enorme valor. O desafio é inserir pautas, como  a proteção da natureza e a eliminação do desmatamento de forma central na agenda global”, finaliza o especialista da WWF-Brasil.

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