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Ciência

Comprimento da passada das patas pode indicar demência em cães

A demência nos cães é chamada de disfunção cognitiva canina ou síndrome da disfunção cognitiva e afeta especialmente os pets idosos

25/06/2026 15:49, atualizado 25/06/2026 16:35
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Unsplash
Imagem colorida mostra cão idoso - Metrópoles

Conhecida como disfunção cognitiva canina ou síndrome da disfunção cognitiva, a demência também atinge cães, assim como humanos. A grande questão para detectá-la está na confusão de sintomas com o envelhecimento natural do pet. No entanto, segundo um novo estudo, mudanças no comprimento da passada das patas dianteiras podem ser um sinal passível de investigação.

Segundo os pesquisadores, alterações no tamanho da passada não apontam por si só que o cão tem demência, visto que elas podem ser provocadas por problemas ortopédicos ou dores crônicas. Porém, podem servir como uma medida mais simples e objetiva para investigar a condição em cães mais velhos.

A descoberta liderada por pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, foi publicada na revista Frontiers in Veterinary Science nessa quarta-feira (24/6).

Análise foi feita com cães idosos

Os resultados vieram de uma investigação feita com 88 cachorros mais velhos, machos e fêmeas, de raças puras e misturadas. Os participantes deveriam ter atingido ao menos 75% da expectativa de vida, baseada na raça e no porte. Eles passaram por testes físicos, neurológicos, fisiológicos e ortopédicos, capazes de medir a mobilidade, audição, visão e força física.

Por anos, os cachorros também passaram por avaliações de caminhada. No trajeto de cinco metros, eles andavam no próprio ritmo sem incentivos, seja verbal ou por petiscos. De acordo com os pesquisadores, os que tinham comprimento de passada mais curto nas patas dianteiras tiveram desempenho mais baixo em testes cognitivos. 

Uma das autoras do estudo, Natasha Olby, neurologista veterinária da Universidade Estadual da Carolina do Norte, afirma que, para os cães, as patas dianteiras servem para alterar a direção e iniciar a frenagem. Por outro lado, realizar tais ações depende da capacidade cerebral de compreender as informações sensoriais, planejar movimento e coordenar o corpo.

“É fascinante observar como o declínio cognitivo afeta as patas dianteiras e traseiras de maneiras diferentes. O córtex cerebral integra mais informações sensoriais nos circuitos neuronais que produzem os movimentos das patas dianteiras, e, portanto, a perda da integração sensório-motora de alto nível os afeta de forma distinta”, explica Natasha.

Após os achados, os pesquisadores pretendem ampliar o alcance do estudo, testando a medição em cães de outras faixas etárias e com condições de saúde variadas. O objetivo é avaliar se ela realmente poderá se tornar útil para a detecção de demência nos pets.