Buracos negros gigantes podem colidir daqui a 100 anos, aponta estudo
Estima-se que o impacto da colisão entre os buracos negros seja tão forte que as ondas gravitacionais poderão ser captadas da Terra
atualizado
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Dados provenientes de observações com radiotelescópios revelaram que dois buracos negros supermassivos podem colidir daqui a cerca de 100 anos. O impacto pode ser tão forte que, mesmo a anos-luz longe do nosso planeta, o impacto poderá ser captado na Terra.
Inicialmente, o único alvo do estudo era um objeto ultrabrilhante chamado blazar – um núcleo galáctico ativo, alimentado por um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia. No entanto, observações posteriores identificaram mais um jato de energia oculto — ele indica que, na verdade, se tratavam de dois buracos negros gigantes.
A descoberta liderada por pesquisadores alemães teve os resultados publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society no final de março.
Colisão dos buracos negros
O blazar observado pelos pesquisadores era da galáxia Markarian 501. No entanto, eles não conseguiam confirmar se o que alimentava o núcleo galáctico era de fato um buraco negro. Somente a análise de 83 conjuntos de dados do Very Long Baseline Array (VLBA), uma rede internacional de 10 radiotelescópios, trouxe a resposta.
Segundo a investigação, ao invés de apenas um jato vindo de buraco negro alimentar o blazar, havia um outro girando no sentido anti-horário ao redor do centro núcleo galáctico, revelando os dois buracos negros supermassivos, com massas de, no mínimo, 100 milhões de vezes a do Sol.
“Perceber que havia um segundo jato foi incrível. Para mim, foi como: ‘É assim que funciona?’ Fiquei tão impressionada e emocionada — e queria contar a todos o que tínhamos acabado de descobrir”, conta uma das coautoras do estudo, Silke Britzen, em entrevista ao portal BBC Science Focus.
Posteriormente, a descoberta ganhou mais uma evidência após ambos buracos negros se alinharam e a gravidade de um deles curvar a luz do outro, formando um círculo quase perfeito.
Atualmente, a distância entre ambos está entre 250 a 540 vezes a distância entre a Terra e o Sol – uma diferença considerada baixa em termos astronômicos. A expectativa é que gradualmente a separação diminua e eles colidam. Assim que baterem, os buracos negros liberarão ondas gravitacionais tão fortes que deverão ser captadas da Terra, dando mais detalhes sobre o evento.
