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Ciência

Batatas liofilizadas de 500 anos são achadas em depósito inca no Peru

As batatas liofilizadas achadas estavam em vaso de barro enterrado no chão, junto de um pedaço de cerâmica inca e uma ferramenta

01/07/2026 10:42, atualizado 01/07/2026 10:43
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LM Valdez
Imagem colorida mostra batatas liofilizadas do império inca - Metrópoles

Ao investigar um depósito inca, arqueólogos encontraram duas batatas liofilizadas datadas de cerca de 500 anos. O achado ocorreu em Tambo Viejo, um sítio arqueológico localizado no Peru, e, segundo os pesquisadores, deixar os tubérculos dessa forma era como se fosse um “petisco” da civilização sul-americana. 

À época, o alimento era chamado de chuño e a descoberta atual é apenas a segunda vez que batatas liofilizadas foram encontradas em um sítio arqueológico inca. Os tubérculos achados estavam em um vaso de barro enterrado no chão, junto de um pedaço de cerâmica inca e uma ferramenta para fiar fibras.

O achado foi liderado pelo pesquisador Lidio Valdez, da Universidade de Calgary, no Canadá. Os resultados foram publicados no Journal of Field Archaeology em maio deste ano.

Sem as tecnologias atuais, para produzir o chuño, os incas deixavam as batatas expostas por vários dias à geada noturna e ao sol diurno. A técnica visava evaporar a umidade do alimento quase em sua totalidade, o que o tornava mais resistente e capaz de durar mais tempo. 

O método só funcionava se a batata estivesse sendo exposta em montanhas com cerca de 3,6 mil metros de altitude. Assim que ficavam prontas, o chuño era transportado por lhamas e servia de alimento para várias partes da civilização. Em entrevista ao portal Live Science, Valdez revela que os incas também usavam a mesma técnica para conservar carne, o que resultava na carne seca.

Estima-se que a liofilização era usada bem antes da ascensão do império inca. O pesquisador acredita que as batatas ficaram conservadas até os dias atuais devido às condições secas do Vale do Acarí, região onde fica Tambo Viejo. Segundo Valdez, o achado mostra a importância das técnicas ancestrais de preservação alimentar.

“Ainda temos muito a aprender com os povos do passado. A segurança alimentar é uma grande preocupação, mesmo em nossos dias; no entanto, desperdiçamos alimentos, talvez mais do que em qualquer outro momento da história da humanidade”, diz o cientista.