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Ciência

Arqueólogos encontram ossadas de cães sem pelos enterrados há 1.200 anos

A descoberta feita no Peru ajuda os pesquisadores a entender como era o cotidiano do Império Wari e qual era sua relação com os animais

19/10/2026 16:17
Reprodução / Weronika Tomczyk
Foto de osso de cão de 1200 anos encontrado no Peru - Metrópoles

Restos mortais de cães que viveram há mais de 1.200 anos, período anterior à ascensão do Império Inca, foram encontrados em um sítio arqueológico no Peru. A descoberta reúne restos mortais mumificados naturalmente, aspectos esqueléticos incomuns e até pistas de como os animais eram tratados.

O achado foi publicado no Journal of Anthropological Archaeology em junho deste ano e é a primeira evidência física desses animais encontrada no Castillo de Huarmey, o único sítio arqueológico do Império Wari descoberto até agora na costa norte do país.

Os cães peruanos são uma raça indígena com características singulares por não possuírem pelos, terem corpos esguios e orelhas pontudas. Geralmente aparecem em cerâmicas feitas por sociedades antigas da costa andina.

O que revelaram os restos mortais dos cães peruanos

As escavações revelaram 341 ossos de cachorros que podem ter pertencido a cerca de 19 animais, sendo um deles um macho que está mumificado por completo.

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A datação da descoberta foi feita por meio de radiocarbono, e os pesquisadores descobriram que o macho possui pelo menos 1.200 anos, tornando-se o exemplar mais antigo encontrado até agora.

Também foram achados, junto a um artesão da elite apelidado de “Mestre Cesteiro”, ossos de um filhote de aproximadamente seis a oito semanas de idade. Além disso, havia ossos de um cão adulto enterrado no palácio e o esqueleto de um filhote encontrado com um homem, o que sugere que provavelmente esses animais tenham sido sacrificados para servir como guardiões da tumba.

Os arqueólogos identificaram ainda que alguns cães foram enterrados de forma intencional, enquanto outros foram descartados. Em alguns ossos havia sinal de abate, o que indica que esses animais não eram consumidos frequentemente.

O achado pode trazer uma nova perspectiva sobre como era o cotidiano da região e qual era a relação entre pessoas e animais.

“Nossos resultados indicam que humanos e cães coexistiram neste sítio arqueológico de Wari, mas reconstruir esse vínculo é um desafio, já que as emoções do passado são difíceis de capturar por meio de métodos arqueológicos”, disse Weronika Tomczyk, autora do estudo e pesquisadora do Departamento de Antropologia da Universidade de Dartmouth, nos Estados Unidos, em comunicado.

A importância do sítio arqueológico do Império Wari

O Castillo de Huarmey está localizado a 305 quilômetros ao norte de Lima, capital do país. Com uma área de 44,5 hectares, o local servia como uma espécie de centro administrativo e sistema funerário do Império Wari.

No local, ao longo de 15 anos, arqueólogos têm feito importantes descobertas que ajudam a entender a cultura da região, que teria sido ocupada entre 600 e 1050 d.C., aproximadamente 400 anos antes da ascensão Inca.