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Imagens revelam como antibiótico rompe defesa de bactérias resistentes

Estudo mostra pela primeira vez a ação das polimixinas e indica novas estratégias para tornar o tratamento mais eficaz contra bactérias

atualizado

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Nature Microbiology
Imagem composta de E. coli exposta ao antibiótico polimixina – as imagens mostram as alterações na camada externa da couraça ao longo do tempo. Da esquerda para a direita: bactéria não tratada com o antibiótico; bactéria após 15 minutos; após 30 minutos; após 60 minutos; após 90 minutos. A barra de escala branca tem 250 nanômetros de diâmetro. Metrópoles
1 de 1 Imagem composta de E. coli exposta ao antibiótico polimixina – as imagens mostram as alterações na camada externa da couraça ao longo do tempo. Da esquerda para a direita: bactéria não tratada com o antibiótico; bactéria após 15 minutos; após 30 minutos; após 60 minutos; após 90 minutos. A barra de escala branca tem 250 nanômetros de diâmetro. Metrópoles - Foto: Nature Microbiology

Pesquisadores da University College London e do Imperial College London, no Reino Unido, conseguiram registrar pela primeira vez como um tipo de antibiótico chamado polimixina perfura a armadura que protege bactérias resistentes. As imagens detalhadas ajudam a entender por que o medicamento, usado como último recurso, funciona apenas quando as células estão ativas.

As polimixinas são usadas há mais de 80 anos contra microrganismos conhecidos como bactérias Gram-negativas, que têm uma camada externa resistente e dificultam a ação de muitos remédios.

No novo estudo, publicado nesta segunda-feira (29/9) na revista Nature Microbiology, a equipe observou que a polimixina B provoca inchaços e deformações na superfície da célula bacteriana, levando à destruição da couraça.

As mudanças aparecem em poucos minutos. À medida que a bactéria tenta produzir novas camadas de proteção, acaba perdendo as antigas em ritmo acelerado, criando falhas que permitem a entrada do antibiótico e levam à morte celular.

Mas o efeito só acontece quando a célula está ativa. Quando as bactérias entram em dormência — um estado em que suspendem suas funções para economizar energia — o medicamento perde a eficácia.

Dormência protege contra tratamento

Essa capacidade de hibernação permite que as bactérias sobrevivam por longos períodos em condições desfavoráveis, como falta de alimento, e voltem a causar infecções quando despertam. Por isso, infecções recorrentes podem acontecer mesmo após o uso de antibióticos potentes.

“Por muito tempo acreditamos que as polimixinas matavam as bactérias em qualquer estado, mas agora sabemos que elas dependem da atividade da célula”, explicou o professor Andrew Edwards, do Imperial College, em comunicado.

Os pesquisadores observaram que, ao oferecer uma fonte de energia como o açúcar, as bactérias dormentes despertam, retomam a produção da armadura e voltam a ficar vulneráveis ao antibiótico.

Imagem composta de E. coli exposta ao antibiótico polimixina. Metrópoles
A equipe utilizou microscopia de força atômica para capturar imagens da bactéria Escherichia coli em tempo real

Novas estratégias de tratamento

Com base nas descobertas, os cientistas sugerem que, no futuro, terapias combinadas podem aumentar a eficácia das polimixinas. A ideia seria associar o antibiótico a compostos que estimulem a produção da camada protetora ou despertem bactérias inativas.

Para Bart Hoogenboom, da University College London, entender como a polimixina age é essencial diante do avanço das infecções resistentes a medicamentos. “Precisamos levar em conta o estado das bactérias ao avaliar a eficácia dos tratamentos”, afirmou.

O estudo foi financiado por instituições britânicas de pesquisa e usou técnicas de microscopia de força atômica para capturar imagens inéditas do processo, revelando em detalhes como a armadura bacteriana é destruída.

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