Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ciência

Altar pré-asteca achado no México pode ter sido local de sacrifícios

O altar foi achado com crânios durante as obras de uma ferrovia no México. Lâminas e vasos de cerâmica também foram encontrados no local

20/07/2026 16:22
Gerardo Peña/INAH
Imagem colorida mostra altar na cidade de Tula, no México - Metrópoles

Durante trabalhos de construção de uma nova ferrovia no México, arqueólogos encontraram um momoztli, nome indígena dado a um altar onde oferendas eram deixadas pela comunidade em rituais. O item foi achado em Tula, cidade que, há anos, era a capital do Império Tolteca. Dinastia dominante da região central do país entre os séculos 10 e 12 e precedeu a ascensão do Império Asteca.

Além do altar, foram encontrados lâminas de obsidiana e vasos de cerâmica. Nas escavações, quatro crânios — sendo um deles ainda ligado a vértebras do pescoço — também estavam entre os fragmentos achados. Ao reunir as evidências, os especialistas suspeitam que o local pode ter servido para rituais de sacrifícios humanos. A descoberta foi divulgada pelo governo mexicano em meados de março.

“Cada descoberta como esta amplia nosso conhecimento sobre uma das grandes civilizações da Mesoamérica e reforça uma convicção central de nossa política cultural: o patrimônio arqueológico do México é a memória de nossos povos e o Estado assume a responsabilidade de investigá-lo, protegê-lo e transmiti-lo às gerações presentes e futuras”, afirma a secretária de Cultura do Governo do México, Claudia Curiel de Icaza, em comunicado.

Quando há o sepultamento, a cabeça pode se desprender naturalmente após os tecidos moles se decomporem. No entanto, o crânio achado pelos arqueólogos tem sinais de ter sido removido com as regiões de sustentação ainda intactas, reforçando a hipótese de sacrifício humano.

Além disso, paredes e pisos achados no local apontam que o altar ficava no centro de um pátio, o qual os pesquisadores sugerem que estivesse localizado em uma residência pertencente à elite. “Sabemos que nos arredores de Tula existiam bairros das classes alta e média, e muito mais distantes, os do povo comum”, afirma o arqueólogo Víctor Francisco Heredia Guillén, do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Apesar de as evidências sugerirem a prática de sacrifícios, os arqueólogos ainda irão examinar os ossos à procura de mais pistas que confirmem a hipótese. Todos os itens já foram documentados e serão transferidos para laboratórios para serem analisados de forma mais profunda.