Quem era Benedito Ruy Barbosa, autor de clássicos da TV brasileira
Autor marcou a teledramaturgia brasileira com histórias do meio rural e grandes sucessos da TV, como Pantanal e Rei do Gado

O escritor e dramaturgo Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7/7), aos 95 anos. Ele estava internado no HCor, em São Paulo, com um quadro de insuficiência renal diagnosticado há três anos, que tem provocado internações recorrentes.
“O Hcor informa que o autor Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, faleceu nesta manhã devido a complicações de insuficiência renal crônica (IRC). A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar”, informou nota.
Nascido em São Paulo, em 17 de abril de 1931, Benedito construiu uma das carreiras mais sólidas da teledramaturgia brasileira. Ao longo da vida, levou para a TV tramas ambientadas no meio rural e ajudou a criar um novo estilo de folhetim no país.
Entre os maiores sucessos do autor estão Meu Pedacinho de Chão (1971 e 2014), Terra Nostra (1999), O Rei do Gado (1996), Pantanal (1990) e Cabocla (1979), obras que marcaram gerações e ajudaram a consolidar a assinatura autoral do paulista.
Benedito foi casado por 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa, que morreu em 2014, aos 75 anos. O casal teve quatro filhos: Edmara, Edilene, Ruy e Marcelo.

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Os conflitos do universo rural foram uma marca constante na obra de Benedito Ruy Barbosa. A inspiração vinha da infância vivida em Vera Cruz, no interior de São Paulo, em meio a cafezais e comunidades de imigrantes, personagens frequentes em suas histórias.
Na juventude, mudou-se para a capital paulista e, posteriormente, foi morar em Maringá (PR) a trabalho. A experiência nas plantações do interior paranaense inspirou o primeiro livro, Fogo Frio, lançado em 1959. No mesmo ano, a obra foi adaptada para o teatro e se tornou um sucesso de público.
De volta a São Paulo, passou a atuar como jornalista e, em 1966, escreveu a primeira novela, chamada Somos Todos Irmãos e exibida pela TV Tupi. Em 1971, foi contratado pela TV Cultura, onde produziu Meu Pedacinho de Chão, em parceria com a TV Globo.
Cinco anos depois, ingressou na emissora da família Marinho, onde escreveu alguns dos maiores sucessos da teledramaturgia nacional. Na emissora, assinou Cabocla (1979), inspirada em romance de Ribeiro Couto, e Sinhá Moça (1986), ambas com forte ligação à cultura rural brasileira.
A imigração italiana também teve papel central em suas narrativas. Em 1996, O Rei do Gado estreou com grande repercussão, contando a história de amor entre o fazendeiro Bruno Mezenga e a boia-fria Luana, descendentes de famílias rivais de imigrantes italianos.
Já em Terra Nostra, o autor retratou a trajetória de dois imigrantes italianos que se apaixonam durante a viagem ao Brasil, mas são separados ao desembarcar no país, no fim do século XIX.
Anos depois, Benedito revisitou parte da própria obra. Ele assinou os remakes de Sinhá Moça, em 2006, e Meu Pedacinho de Chão, em 2014. Na nova versão desta última, criou o universo fantástico que havia idealizado originalmente, mas que não pôde ser exibido devido à censura da ditadura militar.
Com grande parte da família envolvida nas artes, Pantanal ganhou um remake em 2022, assinado por Bruno Luperi, neto do autor. A última novela de Benedito foi Velho Chico (2016), ambientada na fictícia Grotas do São Francisco, no sertão nordestino, mantendo os conflitos territoriais e rurais como eixo central da narrativa.


















