Como Antonio Fagundes criou fã-clube sem querer durante ensaios de peça
Lourdes Nogueira fez parte dos “Assíduos”, que estava no 1º ensaio realizado por Antonio Fagundes. Grupo chegou a estender faixa para o ator
atualizado
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Em 1988, durante a montagem da peça Fragmentos de um Discurso Amoroso, Antonio Fagundes decidiu abrir ao público, pela primeira vez, os ensaios de um espetáculo. Ao longo da preparação, o elenco realizou cerca de 20 encontros com plateia, acompanhando desde a leitura do texto até a construção final da peça.
Os ensaios lotavam semanalmente, mas o público mudava a cada apresentação — com exceção de um grupo de quase 100 pessoas que passou a comparecer em todos os encontros. Sempre atento à reação da plateia, Fagundes percebeu a presença constante daqueles espectadores, os convidou para sentar nas primeiras fileiras e, em tom de brincadeira, os apelidou de “Assíduos”. O nome pegou e acabou batizando o grupo de fãs.
Lourdes Pinto Nogueira, de 67 anos, formada em Direito, fazia parte desse grupo. Ela acompanhou todos os ensaios abertos de “Fafá”, como chama carinhosamente o ator até hoje.
Primeiro ensaio aberto de Fagundes
O nascimento dos “Assíduos”
Em conversa com o Metrópoles, Lourdes relembrou que, ao fim do último ensaio aberto, Fagundes comentou que ele e a equipe passariam a madrugada montando o cenário da peça, que estrearia no dia seguinte. Foi então que os Assíduos decidiram permanecer no teatro para ajudar na preparação.
Os cerca de 100 integrantes do grupo passaram a noite ao lado da produção. Lourdes lembra que havia um orelhão em frente ao teatro e que muitos formaram fila para avisar às famílias que não voltariam para casa naquela noite.
Na estreia do espetáculo, o grupo resolveu homenagear Fagundes com uma faixa pendurada na rua em frente ao teatro — autorização que precisou ser solicitada à Prefeitura de São Paulo. Além disso, os fãs entregaram ao ator um livro com depoimentos escritos por cada integrante.
Após a primeira apresentação, Fagundes retribuiu o carinho mencionando os Assíduos e agradecendo publicamente pelo livro recebido.
Mesmo após o fim da temporada de Fragmentos de um Discurso Amoroso, o grupo continuou se reunindo por anos para assistir a peças de teatro e acompanhar Antonio Fagundes nos palcos. Com o tempo, os Assíduos acabaram se dispersando, mas Lourdes manteve o hábito.
Até hoje, ela segue presente nas primeiras fileiras dos ensaios abertos promovidos por Fagundes.
Para Lourdes, a experiência mudou sua relação com o teatro e tornou sua vida mais rica.
“A experiência de ter feito parte disso, para mim, é histórica. Óbvio que eu gosto demais dele, para mim, é um dos maiores atores do Brasil, mas eu sou bicho de teatro, eu sempre amei o teatro, eu sempre gostei de me aprofundar […] Essa experiência, para mim, é muito rica, porque eu jamais pensei que eu pudesse ter acesso a tudo, como o Fagundes deu a todos”, falou.
A importância dos Assíduos foi tanta que, em 2018, quando a historiadora Rosângela Patriota lançou o livro Antônio Fagundes no Palco da História: Um Ator, o próprio artista procurou Lourdes para dar um depoimento sobre o grupo na obra.
Fagundes estreia como diretor
Celebrando 60 anos de carreira, Antonio Fagundes revisita Sete Minutos – Uma Comédia no Tempo Certo, texto de sua autoria e encenado por ele em 2002, desta vez, como diretor de seu próprio espetáculo. A nova versão da peça está marcada para estrear no dia 21 de maio, no Teatro Cultura Artística, em São Paulo.
Ao Metrópoles, o renomado ator revelou como é a sensação de dirigir uma peça em que já atuou. Para ele, a experiência é completamente diferente e “traumática”. Leia a entrevista na íntegra clicando aqui.










