Zanin marca julgamento do núcleo 4 da trama golpista. Veja data
Ministros da Primeira Turma do STF vão julgar réus do núcleo 4 da trama golpista após pedido de marcação da data por Moraes
atualizado
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O presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cristiano Zanin, marcou para outubro o julgamento do núcleo 4 da trama golpista.
Atendendo a pedido do ministro Alexandre de Moraes, Zanin incluiu sessões extraordinárias nos dias 14, 15 e 21 de outubro, das 9h às 12h. Além disso, haverá sessões à tarde, nos dias 14 e 21 de outubro, das 14h às 19h.
Nas alegações finais, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de todos os réus do núcleo 4 (veja quem é abaixo) da trama golpista. Já as defesas solicitaram a absolvição perante o STF.
O núcleo 4 é o mais adiantado para julgamento, agora com data já definida. O núcleo 3, conhecido como o dos “kids pretos”, encontra-se na fase de alegações finais das defesas, assim como o núcleo 2.
Os acusados respondem pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A Corte pretende concluir todos os julgamentos ainda em 2025.
No início do processo, o núcleo 1, considerado o crucial da trama, já levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de aliados. Bolsonaro recebeu 27 anos e três meses de prisão, apontado como líder da organização criminosa.
Veja quem faz parte do Núcleo 4
- Ailton Gonçalves Moraes Barros – major da reserva do Exército. Segundo investigações, Barros e o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, discutiram, em dezembro de 2022, um eventual golpe de Estado, no qual as Forças Armadas tomariam o poder no país. A conversa foi registrada em três áudios de posse da Polícia Federal (PF). Ailton foi candidato pelo PL a deputado estadual no Rio de Janeiro em 2022 e, durante a campanha, apresentava-se como “01 do Bolsonaro”.
- Ângelo Martins Denicoli – major da reserva do Exército. Segundo a PF, atuou diretamente com o ex-marqueteiro de Javier Milei, presidente da Argentina, para tentar descredibilizar as eleições brasileiras e apontar fraude nas urnas. O major teria coordenado a “produção e difusão de estudos que teriam identificado inconsistências nas urnas eletrônicas” do Brasil junto de Fernando Cerimedo.
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha – engenheiro e presidente do Instituto Voto Legal. A pedido do PL, partido de Bolsonaro, elaborou, em 2022, um relatório que falava em supostas falhas nas urnas eletrônicas. Com base no documento, o partido defendeu que os apontamentos justificariam a anulação de parte dos votos computados.
- Giancarlo Gomes Rodrigues – subtenente do Exército. Militar cedido à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na gestão de Alexandre Ramagem, já réu no núcleo 1 da trama golpista analisada pelo STF. Teria usado ferramentas da Abin, como o First Mile, para disseminar informações falsas.
- Guilherme Marques de Almeida – tenente-coronel do Exército. Almeida comandava o 1º Batalhão de Operações Psicológicas do Exército, com sede em Goiânia. Ele aparece em áudio divulgado pela PF com a sugestão de “sair das quatros linhas (da Constituição)” para viabilizar uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
- Reginaldo Vieira de Abreu – coronel do Exército. Conhecido como “Velame”, ele é investigado na operação Contragolpe por atuar em um grupo de militares suspeitos de planejar uma operação para sequestrar e matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes (STF). Velame foi chefe de gabinete do general Mario Fernandes. Em conversa com o superior, defendeu uma ruptura democrática. “Quatro linhas da Constituição é o caceta”, disse em conversa.
- Marcelo Araújo Bormevet – agente da Polícia Federal. Segundo a PF, fazia parte de um nucleo paralelo da Abin, no qual atuava como servidor e secretário de Planejamento e Gestão. Era um dos nomes de Ramagem na Abin. Deu ordens para um subordinado agredir um assessor do presidente do STF, Luís Roberto Barroso.








