Mario Sabino

Lula precisa deixar o STF de lado se quiser ter sucesso com Trump

Não há garantia de que Lula terá uma boa conversa com Trump. Mas a chance de ser ruim diminui se o interesse nacional prevalecer

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação / ONU
Donald Trump (EUA) assiste ao discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York -- Metrópoles
1 de 1 Donald Trump (EUA) assiste ao discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York -- Metrópoles - Foto: Divulgação / ONU

Como é natural, há muitas especulações na imprensa a respeito do aceno surpreendente de Donald Trump a Lula, ontem, durante o seu discurso (muito louco) na Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Uma das especulações, que está mais para em se plantando tudo dá, foi a de que duas empresas nacionais com grandes interesses nos Estados Unidos, uma de carnes, a outra de aviação, ajudaram a amolecer o presidente americano em relação ao Brasil, graças ao seu lobby em Washington.

Não há dúvida de que a iniciativa privada anda fazendo muito, mas muito mais do que a diplomacia brasileira no caso das sanções americanas. Dominado pelo petismo, o Itamaraty vive um dos momentos mais baixos e paralisantes da sua história.

Sem desmerecer a importância do lobby empresarial, o mais provável, contudo, é que a fala de Donald Trump sobre a “química excelente” com Lula e a abertura para uma conversa nos próximos dias se deva mais ao fato de ele ter topado com o presidente brasileiro pouco antes do início da Assembleia-Geral e assistido ao discurso de Lula na sequência.

O presidente americano simplesmente se lembrou do Brasil e resolveu dar uma piscadela, até por ter ido com a cara de Lula, por que não? Assim como em qualquer aspecto da vida humana, as relações internacionais se fundam também sobre simpatias pessoais instantâneas, acaso, improviso, atitudes de última hora.

A probabilidade de haver surpresas aumenta exponencialmente, é claro, quando se tem um personagem como Donald Trump. Ele é errático, volúvel, intuitivo — e maluco, mas com método e sem propensão para rasgar dinheiro.

Não há garantia nenhuma de que Lula terá uma conversa frutífera com o presidente americano, obviamente. Mas a chance de ela ser infrutífera diminui bastante se o presidente brasileiro tiver algo a oferecer de concreto em termos econômicos — fala-se de acesso americano a jazidas de minerais estratégicos e de uma regulação menos draconiana das big techs.

Outro ponto essencial para que se possa chegar a bom termo é contornar a questão política. Dificilmente, Donald Trump abandonará as sanções a ministros do STF e demais personagens periféricos que considera participantes da perseguição a Jair Bolsonaro. No máximo, poderá fazer vista grossa para uma aplicação menos rigorosa da Lei Magnitsky aos que foram alcançados por ela.

Reafirme-se que esse é um problema do Poder Judiciário, não do Brasil, e que o interesse nacional é o de manter a saúde das empresas exportadoras, geradoras de divisas e de milhares de empregos.

Ele precisa prevalecer tanto sobre o discurso eleitoreiro em defesa da soberania, como sobre as pressões dos ministros do Supremo para que o presidente brasileiro continue a comprar uma briga que é só deles, a despeito de toda a narrativa de defesa da democracia.

Se quiser ter sucesso com Donald Trump, Lula precisa deixar o STF de lado.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comMario Sabino

Você quer ficar por dentro da coluna Mario Sabino e receber notificações em tempo real?