Wellington Dias rebate críticas de Bolsonaro sobre novo valor do ICMS

Governador do PI afirma que governo Bolsonaro retira dinheiro das viagens dos caminhoneiros para "dar lucro a ricos acionistas da Petrobras"

atualizado 26/03/2022 15:11

Hugo Barreto/Metrópoles

Neste sábado (26/3), o coordenador do Fórum Nacional de Governadores, Wellington Dias (PT), fez críticas aos comentários do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra a decisão de gestores estaduais de estabelecer o valor de R$ 1 por litro sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Na sexta-feira (25/3), Bolsonaro disse que a medida é um “esculacho”.

0

“Um caminhoneiro para ir e voltar daqui [Brasília] a São Paulo vai pagar de ICMS R$ 1 mil. Isso é um esculacho”. Em seguida, afirmou que o governo federal está disposto a negociar o assunto com os chefes dos Executivos estaduais.

A decisão sobre o novo valor foi tomada na quinta-feira (25/3) pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). O Confaz aprovou o valor fixo de R$ 1,0060 de ICMS para o litro do óleo diesel S10, de uso mais difundido. A decisão veio dias depois da sanção da lei que determinou a definição de um valor uniforme para o tributo pelos estados.

Em nota publicada neste sábado, Wellington Dias, que é governador do Piauí, citou o aumento no preço do litro do diesel desde o início da gestão Bolsonaro.

“Caminhão gasta a cada 3 km 1 litro. Qual valor em 2019 e qual valor após os reajustes do Bolsonaro?  Se custa R$ 1.000,00 e acho que não (presidente mentiu?) de ICMS, quanto custa o aumento que ele liberou desde 2019 para cá? Quanto era o diesel em janeiro de 2019 em Brasília?”, questionou.

Dias afirmou que o governo Bolsonaro retira dinheiro das viagens dos caminhoneiros para “dar lucro a ricos acionistas da Petrobrás”, e que os governadores arrecadam impostos na mesma viagem para “abrir escola e posto de saúde para vacinar as famílias dos caminhoneiros e dos brasileiros”.

Bolsonaro x Governadores

Na sexta, Bolsonaro disse que não tem intenção de brigar com governadores. Ele frequentemente usa o ICMS para atacar os gestores estaduais ao dizer que o imposto é o grande vilão da alta dos preços dos combustíveis.

Apesar do que diz o presidente, o ICMS não tem o maior impacto. No início do mês, a Petrobras anunciou aumento de 18,8% na gasolina e de 24,9% no diesel nas refinarias, além de 16,1% no gás liquefeito de petróleo (GLP). O reajuste começou a valer em 11 de março.

O chefe do Executivo federal já atacou a política de preços da companhia, que é atrelada à cotação do barril de petróleo no mercado internacional e à variação cambial no país.

Mais lidas
Últimas notícias