Vídeo: “CPI da Covid já começa desacreditada pela população”, diz Eduardo Girão

Em entrevista ao Metrópoles, senador alegou que a um dos fatores de desconfiança é a escolha de Renan Calheiros para a relatoria da comissão

atualizado 04/05/2021 0:58

Eduardo GirãoMetrópoles

Em entrevista ao Metrópoles, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) afirmou que a CPI da Covid “já começa desacreditada pela população”. De acorco com ele, um dos motivos para desconfiança é a escolha de Renan Calheiros (MDB-AL) para a relatoria da comissão, instaurada para investigar ações e omissões do Executivo nacional e fiscalizar a aplicação de recursos federais por estados e municípios

“Não é possível se fazer um meio relatório. O relator é a alma de uma CPI. Se ele tem um conflito de interesses, não vai ter isenção. Não tem como o senador Renan Calheiros ter [isenção] porque o filho dele é governador de um estado. A CPI já começa desacreditada pela população brasileira porque poderia ter tido um outro relator”, pondera o senador (confira a partir do minuto 4’30). Renan Calheiros é pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB). De acordo com Girão, existe “conflito de interesse flagrante” por conta do parentesco.

Derrotado na disputa pela presidência da CPI, Girão criticou o plano de trabalho da comissão. “Um plano que só vai buscar um pra Cristo. É um plano de ataque. Ele não busca a verdade como um todo, só vê o governo federal”, afirmou (10′). O senador defendeu que deve-se chamar um gestor estadual ou municipal para cada nome do governo federal que for convocado para dar explicações no Senado.

“A CPI está se transformando, logo no início, em palanque político em cima de 400 mil caixões de brasileiros que perderam vidas. Isso é covardia, é desumanidade. Tem membros da CPI que já são candidatos à presidência da República, que estão no xadrez político nacional para o ano que vem. A população está percebendo que existe uma antecipação do calendário eleitoral, e isso não é correto”, criticou (6′).

O senador destacou que trabalha para convocar nomes como o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. O objetivo, de acordo com Girão, é que o ministro explique a decisão que permitiu que estados e municípios decretassem medidas de isolamento para conter a pandemia de Covid-19.

“Quando eu propus chamar o ministro Marco Aurélio foi por uma decisão dele de um ano atrás, quando ele retira atribuições que são do governo central e passa para estados e municípios gerirem a pandemia. Ele é uma peça-chave para a gente ver o que de fato aconteceu. Não estou questionando [a decisão do ministro], queremos apenas que ele venha aqui para fazer o monitoramento do que aconteceu após a decisão.”

Girão afirmou que também prentende convocar representantes do Consórcio Nordeste — grupo que reúne 9 estados brasileiros — e a subprocuradora-geral Lindôra Araújo. Nos dois casos, o objetivo é investigar possíveis irregularidades na implemetação de hospitais de campanha.

Oitivas

Nesta terça-feira (4/5), começam a ser ouvidos os primeiros convocados pela CPI da Covid-19. Já estão agendados depoimentos do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, dos ex-ministros da pasta Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, e do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres.

Girão afirmou que espera das primeiras oitivas explicações sobre a gestão na pandemia: “Eu quero ver os dois lados. A expectativa é buscarmos [entender] efetivamente algumas decisões na gestão da pandemia, porque alguns [ministros da Saúde] saíram de forma precoce. Acho que isso vai elucidar algumas questões. Nós temos muitas perguntas a fazer”, disse (22′).

O senador afirmou que os impactos políticos da CPI, incluindo a possível abertura de processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), dependerão do resultados da investigações. “Acho que a gente precisa ver com serenidade, sem fazer pré-julgamento, isso contamina o processo da CPI, o que tem ocorrido demais. Mas essa CPI tem tudo para buscar a verdade”, afirmou.

A seguir assista ao Metrópoles Entrevista com Victor Fuzeira:

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