Vice de Tocantins assume governo interinamente e exonera servidores
Laurez Moreira foi nomeado nessa quarta-feira (3/9). Governador Wanderlei Barbosa foi afastado por determinação do STJ após operação da PF
atualizado
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O vice-governador de Tocantins, Laurez Rocha Moreira (PSD) (foto em destaque), assumiu interinamente o comando do Executivo estadual, em substituição ao governador Wanderley Barbosa (Republicanos), afastado do cargo por seis meses após ser alvo de operação da Polícia Federal (PF). Os agentes investigam fraudes em compras de frangos e cestas básicas durante a pandemia da Covid-19.
A mudança foi oficializada no Diário Oficial (DO) do estado dessa quarta-feira (3/9), poucas horas após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Por determinação do ministro da Corte e relator da investigação, Mauro Campbell, a esposa do governador, Karynne Sotero Campos, que ocupa o cargo de secretária-extraordinária de Participações Sociais, também foi afastada da função.
Logo após ser nomeado para a posição, Laurez publicou no DO a exoneração de 51 nomes do primeiro escalão do governo e a substituição dos servidores por pessoas da confiança dele.
Entre os cargos estão os de secretários como o da Casa Civil, da Saúde, e da Educação; o da Procuradora-Geral do Estado; os dos comandantes-gerais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros; dos presidentes dos institutos de Gestão Previdenciária (Igeprev) e da Natureza do Tocantins (Naturatins); entre outros.
Operação da PF
As investigações tramitam sob sigilo no STJ e, segundo a PF, apontam “fortes indícios” de um esquema de desvio de recursos públicos entre os anos de 2020 e 2021, período em que os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas.
Segundo a PF, os contratos foram bancados com emenda e somam cerca de R$ 97 milhões. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 73 milhões.
A investigação aponta que os recursos desviados teriam sido ocultados em empreendimentos de luxo, compra de gado e despesas pessoais.
A segunda fase da Operação Fames-19 também mirou 10 deputados estaduais, além de empresários ligados ao fornecimento de alimentos. Conversas obtidas pela PF mostram que empresas eram escolhidas previamente para vencer os certames, enquanto concorrentes apenas simulavam a disputa.
Mais de 200 policiais federais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão em Palmas (TO), Araguaína (TO), Distrito Federal, Imperatriz (MA) e João Pessoa (PB). Os mandados incluíram o Palácio Araguaia, sede do governo estadual, e a Assembleia Legislativa do Tocantins.
O STJ também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados. Entre os patrimônios rastreados aparece a Pousada Pedra Canga, em construção na Serra de Taquaruçu, supostamente financiada com dinheiro desviado.








