
Mirelle PinheiroColunas

Primeira-dama do Tocantins é afastada em escândalo milionário
O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e a primeira-dama Karynne Sotero Campos foram afastados por determinação do STJ
atualizado
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A segunda fase da Operação Fames-19, deflagrada nesta quarta-feira (3/9) pela Polícia Federal, atingiu o núcleo mais próximo do poder político no Tocantins. O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e a primeira-dama Karynne Sotero Campos, secretária extraordinária de Participações Sociais, foram afastados de suas funções por determinação do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O prazo da medida cautelar é de 180 dias.
As investigações apontam que o governo estadual, em parceria com empresários e políticos, fraudou licitações e desviou recursos públicos de contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados entre 2020 e 2021, em plena pandemia de Covid-19. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 73 milhões.
De acordo com a PF, os contratos investigados somam R$ 97 milhões e envolvem uso de emendas parlamentares. Parte do dinheiro teria sido convertida em empreendimentos de luxo, compra de gado e até pagamento de despesas pessoais de integrantes do grupo.
Ex-marido
Mensagens e documentos apreendidos em celulares apontam que Paulo César Lustosa (PC Lustosa), ex-marido da primeira-dama, atuava como intermediário do esquema, com amplo acesso à cúpula do governo. Em conversas interceptadas, ele relata que sua “principal atividade laboral” era negociar propinas em contratos do Estado e de prefeituras.
Lustosa citava que a engrenagem de corrupção já vinha sendo montada desde a saída do ex-governador Mauro Carlesse, em 2021, e seguia fortalecida na gestão de Wanderlei Barbosa. Em uma das mensagens, chegou a comentar sobre a “gula por dinheiro” do atual chefe do Executivo, citando pagamentos em espécie.
Deputados
A operação também mira dez deputados estaduais, além de empresários ligados ao fornecimento de alimentos. Conversas obtidas pela PF mostram que empresas eram escolhidas previamente para vencer os certames, enquanto concorrentes apenas simulavam a disputa.
Mais de 200 policiais federais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão em Palmas, Araguaína, Distrito Federal, Maranhão e Paraíba. Os mandados incluíram o Palácio Araguaia, sede do governo estadual, e a Assembleia Legislativa do Tocantins.
O STJ também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados. Entre os patrimônios rastreados, aparece a Pousada Pedra Canga, em construção na Serra de Taquaruçu, supostamente financiada com dinheiro desviado.
