
Vice de Flávio descarta "surpresas" e afirma que Dark Horse está superado
Alfredo Gaspar reconheceu que o caso gerou desconfiança, mas avaliou que não haverá revelações contra Flávio Bolsonaro durante campanha

O candidato a vice de Flávio Bolsonaro (PL), deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), descartou nesta segunda-feira (31/8) a possibilidade de novos fatos envolvendo o presidenciável abalarem a campanha e afirmou que o desgaste causado pelos repasses de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse já foi superado.
A avaliação acompanha o discurso adotado pelo próprio Flávio nas últimas semanas. Há quase duas semanas, o candidato chamou o episódio de “página virada” e disse que a prestação de contas da cinebiografia de Jair Bolsonaro já havia sido apresentada.
Em um evento promovido pelo BTG Pactual, em São Paulo, Gaspar foi questionado sobre o risco de um novo caso provocar impacto semelhante ao causado pelas revelações sobre o financiamento do filme, que atingiram a campanha em maio.
O deputado reconheceu que o episódio despertou dúvidas a respeito de Flávio, mas afirmou não esperar novas revelações envolvendo o cabeça da chapa.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“O episódio gerou desconfiança, mas com a explicação foi superada. […] O presidente Flávio não tem surpresas a aparecer”, disse.
Alfredo Gaspar também afirmou que Flávio Bolsonaro tem “consciência da necessidade de o Brasil não ter surpresas”.
“Eu não tinha uma aproximação tão grande com o presidente Flávio. Mas nesse último mês agora andando com ele, conversando, trocando ideias, ele tem a consciência da necessidade do Brasil não ter surpresas”, declarou.

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As declarações ocorreram depois de meses de apreensão entre aliados com os desdobramentos do caso. A preocupação voltou a crescer quando o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar os recursos destinados por Vorcaro à produção, em julho.
A apuração, aberta a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), alcança cerca de R$ 61 milhões repassados por Vorcaro a um fundo sediado no Texas e vinculado a pessoas próximas de Eduardo Bolsonaro.
A PF busca esclarecer a destinação do dinheiro e se os valores foram usados exclusivamente na produção do filme. Há cerca de um mês, após a abertura do inquérito, aliados de Flávio chegaram a demonstrar receio de que a investigação trouxesse novos elementos sobre a relação do candidato com Vorcaro.
Nesta segunda, Gaspar apresentou a mesma explicação já dada por Flávio para a aproximação. Segundo o vice, o presidenciável buscava recursos para financiar o filme sobre o pai e chegou ao banqueiro por indicação de terceiros.
“Durante o governo do pai dele ele não conhecia o senhor Daniel Vorcaro. Ele não promoveu nenhuma legislação nem um ato de favorecimento a essa pessoa”, afirmou.
Mensagens, áudios e documentos mostram que Flávio buscou financiamento para o Dark Horse por meio de intermediários e manteve contato com Vorcaro a partir de 2024. Em setembro do ano seguinte, o senador enviou um áudio ao banqueiro cobrando parcelas prometidas para a produção.
Os dois também se encontraram pessoalmente no fim de 2025, depois da primeira prisão de Vorcaro. Flávio afirmou posteriormente que a reunião serviu para encerrar as pendências relacionadas ao financiamento do longa.
Quando os repasses vieram a público, o candidato reconheceu que Vorcaro havia colocado dinheiro no projeto e afirmou que a relação entre os dois se restringia ao filme. Flávio também anunciou que a GoUp Entertainment Brasil, responsável pela produção, apresentaria uma prestação detalhada dos gastos.
Outro episódio também ampliou os questionamentos sobre a ligação entre Flávio e empresas relacionadas ao Banco Master. O escritório de advocacia do senador recebeu R$ 500 mil de uma empresa ligada a uma consultoria que, entre 2024 e 2025, recebeu R$ 57,9 milhões do banco de Vorcaro.
Outras duas notas fiscais, no valor total de R$ 1 milhão, chegaram a ser emitidas diretamente para a consultoria e depois foram canceladas. Flávio afirmou que prestou serviços advocatícios à empresa que o contratou e negou relação entre os pagamentos recebidos e recursos do Master.
Receio
Nos bastidores da campanha, os episódios alimentaram durante meses o receio de novos desdobramentos. Um dos temores relatados por aliados após a abertura do inquérito era de que a investigação funcionasse como uma “caixa de Pandora” e revelasse novas informações durante a disputa eleitoral.
Flávio Bolsonaro tem trabalhado para dissipar os temores. O senador passou a afastar publicamente a possibilidade de novos problemas. Ao comentar o receio manifestado por aliados, durante uma transmissão ao vivo, o candidato garantiu a apoiadores que não haveria novas revelações.
“‘Será que vai acontecer alguma coisa?’. Gente, não vai acontecer nada, e todas as mentiras que me acusarem a gente vai enfrentar e vai destruir, vai botar por água abaixo como sempre foi com o Bolsonaro, vai ser comigo também”, afirmou.



