Venezuela é janela de oportunidade para o Brasil, avalia embaixador
Secretário da promoção comercial, Laudemar Aguiar acredita que país passa por um momento oportuno para empresas brasileiras
atualizado
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Detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela voltou ao radar de empresários de todo o mundo nos últimos meses após a queda de Nicolás Maduro. E o Brasil também vê a situação da vizinha com interesse, conforme confirmaram fontes no Itamaraty e no meio empresarial.
O autocrata chavista estava no poder há mais de 13 anos e foi capturado em janeiro após uma operação militar dos Estados Unidos.
No seu lugar, a então vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência da Venezuela com o apoio dos EUA e estabeleceu uma linha direta com Washington. Tal medida permitiu que as sanções impostas ao país e que condenaram Caracas ao ostracismo econômico, começassem a ser revertidas, abrindo oportunidades ao país e para empresários.
Desde então, o país voltou a atrair investimento estrangeiro. Conforme revelou o Metrópoles, empresas brasileiras também acompanharam essa onda em um momento que, para diplomatas, é visto como uma “janela de oportunidade” para executivos brasileiros.
Enquanto empresas de diversas nacionalidades voltam os olhos para o país caribenho, membros do governo brasileiro acreditam que é importante que o Brasil assuma a dianteira no investimento na Venezuela e ocupe lugar de protagonismo na recuperação econômica do país.
Retomada econômica na Venezuela
- A situação econômica na Venezuela tem sinais de retomada desde que os Estados Unidos passou a tirar sanções do país.
- O movimento acontece após os Estados Unidos realizarem uma operação que capturou Nicolás Maduro. No lugar, assumiu Delcy Rodríguez, que estabeleceu uma relação direta do país com os EUA, o que havia sido cortado durante o regime de Maduro.
- A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo e, com o fim das sanções, aumenta o interesse de empresas de diversos lugares do mundo em atuar no país. Com companhias brasileiras não é diferente.
- Ao Metrópoles, fontes diplomáticas do Brasil e na Venezuela relataram o aumento do interesse de diversas empresas brasileiras em expandir operações ou, em alguns casos, retomar operações no país caribenho. A percepção dessas companhias é que há uma janela de oportunidade no país.
Movimentação
Janela de oportunidades: o termo é cravado pelo embaixador Laudemar Aguiar, que é secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Itamaraty. Aguiar esteve nas últimas semanas na Venezuela, onde participou de eventos promovidos por empresários venezuelanos com executivos de diversas partes do mundo.
O representante brasileiro também se encontrou com membros do governo venezuelano para tratar o “estreitamento dos laços econômicos, culturais e de cooperação”, conforme informou o Itamaraty após a visita.
O sentimento generalizado, avalia o diplomata ao Metrópoles, é de otimismo. Segundo Aguiar, os empresários acreditam que o atual momento vivido na Venezuela já cria estabilidade para uma retomada dos investimentos.
“Todas as pessoas presentes nesses eventos e com quem conversei, demonstraram bastante entusiasmo com a atual situação na Venezuela. Os movimentos que se desenham é de foco na reestruturação econômica através da estabilidade jurídica, o que pode atrair investimento dessas empresas e de outros países para a Venezuela”, disse Laudemar.
Parte deste sentimento é justificado pelo caminho aberto com o fim das sanções dos EUA contra a Venezuela, que abriu portas para o país receber investimentos estrangeiros. Tal medida possibilitou ainda a retomada da extração de petróleo venezuelano — que também atrai empresas deste setor.
Além disso, conversas do governo norte-americano com entidades multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, sugerem que a Venezuela pode receber aportes para dar início ao processo de regularização econômica — analistas avaliam que o país tem cerca de US$ 150 bilhões em dívidas.
A restruturação econômica da Venezuela é o principal objetivo da política adotada por Delcy Rodriguez — o processo político, por outro lado, desempenha papel secundário nesta retomada em Caracas.
Mercado “eufórico” com a Venezuela
Para empresários brasileiros consultados pelo Metrópoles, a classe demonstra “extrema euforia” com a oportunidade que se apresenta na Venezuela. A avaliação, revelou uma autoridade do ramo à reportagem, é de que o país ficou muitos anos “parado” e não acompanhou o desenvolvimento visto no mundo.
Tal situação, é vista como uma oportunidade para empresários, que veem grandes espaços para todos os setores no país. No sistema financeiro, por exemplo, bancos estudam a hipótese de abrir linhas de crédito ou investir na modalidade crédito, pouco explorada na Venezuela.
Para o campo tecnológico, a avaliação é de que o país está “atrasado em todos os setores“. Algumas empresas brasileiras já tentam aproveitar esta janela aberta. Entre elas, estão a J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, a Maha Energy e a Alvorada Heavy Industries. As três têm interesses na exploração de petróleo venezuelano.
Para a J&F, por exemplo, abre-se a possibilidade de explorar petróleo no país através da Fluxus, empresa que atua na compra de ativos de petróleo, óleo e gás, adquirida pelos irmãos Batista em 2023.
A empresa tem foco nos chamados brownfields — campos que já existem, mas estão obsoletos ou sem manutenção, ou seja, não precisam ser construídos do zero, o que economiza custos de operação.
Desde sua fundação, a Fluxus tem como foco a Argentina, Bolívia, Peru e Venezuela. Com o início da retirada das sanções, abre-se a possibilidade para atuação da companhia brasileira na Venezuela.
Já a Alvorada Heavy Industries, uma empresa que também atua no ramo da exploração de petróleo, expandiu sua atuação na Venezuela nos últimos meses. A companhia atua no país há cerca de quatro, mas viu sua produção aumentar nos últimos meses, bem como o aumento do capital para investir e financiar a exploração do petróleo.
“Quando chegamos, há cerca de três/quatro anos, fizemos investimento de capital próprio para alavancar o campo. Hoje o mercado está se abrindo e agora são os os fundos e os bancos que passaram a nos procurar para financiar nossa atuação na Venezuela”, conta Paulo Victor Buzanelli, presidente da Alvorada.
Ao Metrópoles, Buzanelli afirma que a expectativa da empresa é chegar, em termos conservadores, à produção de cerca de 24 mil barris de petróleos por dia em até dois anos.
O empresário foi um dos que “apostou alto” no mercado venezuelano e hoje vê a janela de oportunidades que se abriu nos últimos meses e aposta no modelo de expansão da Alvorada não apenas a mercados ligados ao petróleo, mas também para outras áreas de atuação.





