O que mudou na economia da Venezuela dois meses após invasão pelos EUA
Dois meses após invasão e captura de Nicolás Maduro, Venezuela tenta reorganizar economia e retomar produção de petróleo
atualizado
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Dois meses após os Estados Unidos invadirem a Venezuela, o cenário no país sul-americano começa a entrar em nova fase.
A operação militar, realizada em janeiro de 2026, resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e abriu período de transição política e econômica que vem alterando a dinâmica da região, especialmente no setor de energia.
Desde então, o país passou a ser governado por Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, enquanto autoridades norte-americanas intensificaram contatos diplomáticos e econômicos com Caracas.
Na última quinta-feira (5/3), Estados Unidos e Venezuela anunciaram, inclusive, a retomada formal das relações diplomáticas, rompidas desde 2019, em um movimento que marca mudança importante no relacionamento entre os dois países.
Embora o episódio tenha forte dimensão política, os principais desdobramentos têm sido observados na economia, sobretudo no setor energético.
Além disso, na última terça-feira (3/3), a Venezuela anunciou a assinatura de contratos para a comercialização de petróleo e derivados com os EUA.
O acordo comercial surge no momento em que o mercado de petróleo sofre com impactos significativos em decorrência da guerra no Oriente Médio.
Petróleo no centro da nova relação
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, o que explica por que a indústria petrolífera se tornou um dos principais focos das discussões após a intervenção americana.
Analistas avaliam que qualquer mudança na produção do país pode afetar o mercado global de energia.
Mesmo após os ataques militares, a produção e o refino de petróleo venezuelanos continuaram operando, já que as instalações petrolíferas não foram diretamente atingidas.
Ainda assim, o setor enfrenta dificuldades estruturais e queda de produção acumulada ao longo dos últimos anos, resultado de sanções, falta de investimentos e problemas operacionais.
O governo dos Estados Unidos já sinalizou que pretende ter participação ativa na reconstrução da indústria petrolífera venezuelana.
O presidente Donald Trump afirmou que o país estará “fortemente envolvido” no setor e que pretende estimular investimentos de empresas americanas na exploração de petróleo no país.
Entenda a ação dos EUA na Venezuela
- Os EUA invadiram a Venezuela em 3 de janeiro de 2026, em operação militar com ataques a alvos estratégicos no país;
- O objetivo era capturar o presidente Nicolás Maduro, que foi preso durante a ação e retirado do país por forças americanas;
- Washington acusava Maduro de liderar um “narcoestado” e de envolvimento com tráfico internacional de drogas e fraudes eleitorais;
- A operação gerou reação internacional, com críticas de aliados da Venezuela e debate sobre violação da soberania do país;
- Após a ação, a Venezuela entrou em um período de transição, com novo governo e tentativa de reorganizar a economia, especialmente o setor de petróleo.
Possíveis impactos no mercado global
A eventual recuperação da produção petrolífera da Venezuela pode alterar o equilíbrio do mercado internacional de energia. Analistas apontam que, se o país conseguir ampliar a produção nos próximos anos, haverá aumento da oferta global de petróleo, o que pode pressionar os preços para baixo no médio prazo.
Apesar do tamanho das reservas, a exploração do petróleo venezuelano não é simples. Grande parte do óleo produzido no país é considerado petróleo pesado, que exige processos mais caros e complexos de extração e refino. Isso significa que uma retomada relevante da produção deve ocorrer de forma gradual.
Ainda assim, a perspectiva de maior participação da Venezuela no mercado energético internacional já vem sendo observada por investidores e governos, especialmente em um contexto global marcado por tensões geopolíticas e busca por novas fontes de energia.
Relação com os Estados Unidos
Após anos de tensão, sanções e isolamento, EUA e Venezuela voltaram a estabelecer canais oficiais de diálogo e cooperação.
O novo governo venezuelano tem sinalizado disposição para atrair investimento estrangeiro e promover mudanças econômicas, incluindo reformas na legislação do setor de hidrocarbonetos para facilitar a participação de empresas privadas.
Esse movimento faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos de estimular a recuperação econômica da Venezuela e garantir estabilidade política no país após a queda de Maduro.
Outro movimento recente na relação econômica entre os dois países envolve o setor de mineração. Na última sexta-feira (6/3), o governo americano autorizou a venda de ouro da Venezuela para os Estados Unidos, por meio de licença que permite transações com a estatal venezuelana de mineração.
A medida abre espaço para a exportação e o refino do metal em território americano e faz parte de uma estratégia mais ampla de retomada das relações comerciais entre países.
E o que muda para a região e para o Brasil
A reconfiguração econômica da Venezuela também tem potencial de impactar outros países da América do Sul. Além do efeito sobre o mercado global de petróleo, a reabertura econômica do país pode alterar fluxos comerciais na região e estimular novos investimentos em infraestrutura, energia e logística.
Para o Brasil, que faz fronteira com a Venezuela e mantém relações comerciais históricas com o país, uma eventual recuperação da economia venezuelana pode significar a ampliação do comércio bilateral, especialmente em setores como alimentos, produtos industrializados e energia.
Em fevereiro de 2026, por exemplo, o Brasil exportou mais de US$ 69 milhões para o país, 40,9% a mais do que no ano anterior. Já as importações somaram US$ 37,9 milhões, alta de 57,35 com relação a 2025.













