Veja quem foi Joseph Goebbels e a colaboração dele para o nazismo

Ministro da Propaganda de Hittler voltou às manchetes após ser citado por secretário da Cultura de Bolsonaro, que acabou demitido

atualizado 17/01/2020 13:32

Arquivo Público

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade.” A famosa frase do nazismo é de Joseph Goebbels. O ministro da Propaganda da Alemanha entre 1933 e 1945 e um dos idealizadores do regime político voltou às manchetes após uma citação do secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, no lançamento do Prêmio Nacional das Artes.

Alvim disse que “a arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo ou então não será nada”.

Goebbels, em maio de 1933, adotou um discuso semelhante. “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

O ministro de Adolf Hitler foi um dos seguidores mais fiéis e leais. À época, foi responsável por criar a imagem do líder político e transformá-lo em mártir do povo alemão.

Idealizou e implantou o processo convencimento da população sobre a inferioridade do povo judeu. Dele, partiu a iniciativa de cometerem o Holocausto, que causou o extermínio de seis milhões de judeus na Europa.

Nascido numa família católica, Goebbels sofreu na infância com a poliomielite e, posteriormente, também com a osteomielite. Fisicamente frágil e pequeno, foi rejeitado pelo serviço militar na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Após isso, ele decidiu se aproximar de doutrinas antissemitas, que pregavam a inferioridade dos judeus em relação a outras culturas.

Somente em 1925, Goebbels se uniu ao Partido Nazista e, depois, de Hitler. Juntos, eles perceberam na propaganda a potencial vitória da ideologia de dominação do nazismo.

No ano seguinte, foi nomeado presidente do partido na região de Berlim e, um ano mais tarde, fundou a revista nacional-socialista Der Angriff (O Ataque). Em 1928 passou a pertencer ao Reichstag (Parlamento alemão).

Em obra autobiográfica, Hitler afirma que a propaganda nazista tinha que ser simples, emotiva e popular. Para conseguir convencer até mesmo a pessoa mais humilde. A propaganda não deveria ser racional, mas sim emotiva, atingir o coração e sentimento das grandes massas.

Goebbels era responsável pela divulgação do regime por meio do incentivo à produção de materiais tanto no campo artístico, com filmes dedicados à ideologia nazista.

Entenda o caso
Roberto Alvim usou trechos do discurso do ministro da Propaganda do governo de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, para anunciar o Prêmio Nacional das Artes e provocou reações.

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada”, disse Alvim.

O secretário afirmou ainda que “ao país a que servimos só interessa uma arte que cria a sua própria qualidade a partir da nacionalidade plena”. “Queremos um cultura dinâmica e, ao mesmo tempo, enraizada na nobreza dos nossos mitos fundantes. Pátria, família, a coragem do povo e a sua profunda ligação com Deus amparam nossas ações na criação de políticas públicas”, emendou.

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