Roberto Alvim é exonerado após fazer citações nazistas em vídeo

Secretário especial da Cultura usou trechos de discurso do ministro da Propaganda do governo de Adolf Hitler, Joseph Goebbels

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atualizado 17/01/2020 12:49

Em reação à fala de Roberto Alvim, que citou trechos de discurso do ministro da Propaganda do governo de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, foi exonerado, nesta sexta-feira (17/01/2020), da função de secretário especial de Cultura. A pasta está ligada ao Ministério do Turismo, chefiado por Marcelo Álvaro Antônio.

Alvim usou trechos de discurso do ministro da Propaganda do governo de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, para anunciar o Prêmio Nacional das Artes e provocou reações.

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada”, disse Alvim.

Alvim afirmou ainda que “ao país a que servimos só interessa uma arte que cria a sua própria qualidade a partir da nacionalidade plena”. “Queremos um cultura dinâmica e, ao mesmo tempo, enraizada na nobreza dos nossos mitos fundantes. Pátria, família, a coragem do povo e a sua profunda ligação com Deus amparam nossas ações na criação de políticas públicas”, emendou.

Inicialmente, o Palácio do Planalto informou que não comentaria as citações. Alvim, ao tentar se justificar, disse que o discurso em que parafraseia Goebbels foi “coincidência”.

Perfil
Roberto Alvim é nome de confiança do presidente Bolsonaro. Antes de assumir o cargo de secretário especial da Cultura, o dramaturgo já havia trabalhado no governo à frente do Centro de Artes Cênicas (Ceacen) da Funarte.

Ele é seguidor do escritor Olavo de Carvalho e defende o engajamento de artistas conservadores em pautas do governo. A aproximação com Bolsonaro se deu durante a campanha eleitoral de 2018.

Polêmica
Após a fala, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu o afastamento imediato de Alvim. Nas redes sociais, o parlamentar classificou como inaceitável a declaração do ministro, que teria sido copiada das declarações de Goebbels. “O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgentemente do cargo”, opinou.

Deputados do PSol e do PT cobraram punição severa ao ex-secretário. “Na Alemanha, Roberto Alvim estaria preso. Aqui, é secretário da cultura de [Jair] Bolsonaro. Usar retórica nazista e discurso de Goebbels pode parecer patético, mas na verdade é perigoso e violento. Não normalizemos os absurdos dessa escória que hoje governa o Brasil”, criticou o PSol no texto.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), cobrou providências do Congresso para punir a fala. “Um vídeo nazista não é apenas ridículo. É perigoso e ilegal. Desrespeita os judeus no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Deve ser objeto de repúdio e de providências no Congresso Nacional e no Poder Judiciário”, postou nas redes sociais.

Repercussão diplomática
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) disse que considera “inaceitável” o uso de discurso nazista pelo secretário da Cultura do governo Jair Bolsonaro (sem partido), Roberto Alvim.

“Emular a visão do ministro da Propaganda nazista de Hitler, Joseph Goebbels, é um sinal assustador da sua visão de cultura, que deve ser combatida e contida”, inicia a nota de repúdio.

A Embaixada da Alemanha no Brasil reagiu, por meio de nota, às declarações. De acordo com a representação alemã no país, o período do nacional-socialismo representa o “capítulo mais sombrio da história” alemã.

“Trouxe sofrimento infinito à humanidade. A Alemanha mantém sua responsabilidade. Pomo-nos a qualquer tentativa de banalizar ou mesmo glorificar a era do nacional-socialismo”, destaca a nota.

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