Veja balanço dos atos pró-Moro, Lava Jato e Previdência em todo Brasil

Manifestações foram convocadas após o vazamento de supostas conversas entre o ex-juiz e procuradores da força-tarefa, no início deste mês

Vinicius Santa Rosa/MetrópolesVinicius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 30/06/2019 19:41

Manifestações convocadas pelos grupos Vem pra Rua, Nas Ruas e Movimento Brasil Livre (MBL) em defesa do ex-juiz federal, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e da Operação Lava Jato haviam sido registradas em ao menos 80 cidades de 24 estados e Distrito Federal até as 18h deste domingo (30/06/2019). Os atos também foram marcados por críticas duras a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso.

Nem mesmo integrantes de um dos grupos que convocaram os protestos escaparam. No Rio de Janeiro, pela manhã, e em São Paulo, à tarde, membros do MBL foram atacados por gritos de “vendidos”. Outro que foi criticado foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vive uma relação de aproximação e afastamento com o presidente Jair Bolsonaro e não se furta a criticar seguidamente parte da agenda do governo, mas é o principal interlocutor na tramitação da reforma da Previdência.

No fim da tarde, horas depois de retornar do Japão, onde participou da cúpula do G20, em Osaka, o presidente Jair Bolsonaro tuitou parabenizando os manifestantes pela “civilidade”.

Brasília

Na capital federal, os manifestantes começaram a chegar na Esplanada por volta das 10h. Com rostos pintados, faixas, bandeiras do Brasil e camisetas personalizadas durante o próprio evento, eles cantaram o Hino Nacional repetidamente e entoaram gritos de guerra a favor do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Do alto do carro de som, autoridades, como os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) e Bia Kicis (PSL-DF) e o ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno, inflamaram o público com discursos a favor do governo.

Heleno foi duro: “Estão colocando o Moro na parede para soltar esses canalhas”, bradou.

Entre os pleitos dos participantes do ato, porém, estavam pedidos de afastamento do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aprovações da reforma da previdência e do decreto das armas, de Bolsonaro. Eles também empunhavam bandeiras e capas com a frase “Lava Toga”, em referência à atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Estamos aqui em defesa do Moro, da Lava Jato e de todas as reformas que o Bolsonaro quer implantar. Foi indignante vê-lo ser questionado no Congresso como se fosse um bandido. Mas ele saiu muito maior de lá. Moro é igual o Bolsonaro, quanto mais bate, mais cresce”, disse a dentista Maria do Carmo Sales, de 66 anos.

Na dispersão da manifestação, por volta das 13h, a estimativa da organização era de que tivessem passado pela Esplanada ao menos 20 mil pessoas.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, os manifestantes ocuparam seis quadras da Avenida Atlântica. A organização levou oito carros de som e dois guindastes com bandeiras do Brasil para o ato. A presença de integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) causou tensão entre os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que acusam o grupo de traidor.

De acordo com o técnico em segurança do trabalho, Henrique Andrade, 44, uns dos que gritavam contra o MBL em frente ao carro de som, o grupo mudou depois que assumiu cargos públicos e agora estaria “se vendendo” no Congresso.

“Eu acompanho o MBL desde o começo e não reconheço mais, estão se vendendo para o (Marcelo) Freixo (PSol), para o Eduardo Cunha (preso em Curitiba), para o Rodrigo Maia (DEM-RJ, presidente da Câmara)”, disse.”Eles (MBL) vão ter que fazer muito para limpar a barra deles com a gente”, completou.

 

São Paulo

Por volta das 14h, a Avenida Paulista começou a ser tomada pelos manifestantes pró-Moro, Lava Jato e Previdência. Na capital paulista, contudo, também houve divergência entre os grupos, que cresceram durante os protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. De um lado, o Nas Ruas, o mais “governista” dos três. Estacionado na esquina da Rua Peixoto Gomide com a Avenida Paulista, o carro de som do grupo recebeu como oradores, por exemplo, o empresário Luciano Hang, dono da Havan, o senador Major Olímpio (PSL) e o cantor Latino, que chegou a cantar uma de suas músicas.

“Nós apoiamos o ministro Sérgio Moro, o pacote anticrime, e o governo Bolsonaro”, disse Tomé Abduch, porta-voz do Nas Ruas. Ele também fez críticas à divulgação de suposto diálogos comprometedores entre o ex-juiz Sérgio Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato. “O Glenn [Greenwald] deveria estar preso, assim como o hacker. Há nesses vazamentos um direcionamento ideológico claro, já que o marido dele é deputado pelo PSOL, que é um partido comunista”.

Já os dois outros grupos responsáveis pela convocação dos atos deste domingo, o MBL e o Vem Pra Rua, não incluíram a defesa de Bolsonaro entre suas reivindicações. Assim como no Rio, isso provocou críticas de parte dos participantes do ato.

Em Minas Gerais

Na capital mineira, Belo Horizonte, a concentração foi na tradicional Praça da Liberdade, na região da Savassi. Eles cantaram o hino nacional, fizeram discursos em defesa de Moro, Bolsonaro e Previdência e soltaram balões. A manhã também teve manifestações em outras cidades do estado, como Uberada, Uberlândia e Juiz de Fora.

No Paraná

O estado-símbolo da Lava Jato teve manifestações em Curitiba e nas grandes cidades do interior, como Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Na capital paranaense, o ato começou por volta das 15h30, na região da Boca Maldita. Neste horário, os manifestantes ocupavam cerca de um quarteirão da Rua XV de Novembro.

Em Maringá, cidade de Sergio Moro, o protesto foi no centro, na frente da Catedral da cidade. Parte dos manifestantes saiu em passeata pelas ruas e outro grupo permaneceu no local.

Recado de Moro

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, publicou em conta oficial do Twitter uma mensagem enigmática sobre os atos em defesa da Lava Jato, que ocorrem em diversas cidades brasileiras neste domingo (30/06/2019).

O ex-juiz federal no Paraná compartilhou um vídeo da manifestação que ocupou seis quadras da Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, e disse: “Eu vejo, eu ouço. Lava Jato, projeto anticrime, Previdência, reforma, mudança, futuro”.

 

A convocação

As manifestações de apoio a Moro e à Lava Jato foram convocadas após o vazamento de conversas que mostram uma suposta troca de colaboração entre o ex-juiz e os procuradores da força-tarefa, dentre eles o coordenador, Deltan Dallagnol. Os simpatizantes do governo de Bolsonaro querem reafirmar o apoio ao ex-juiz.

De acordo com o movimento Nas Ruas, 203 cidades de todas as regiões do país haviam confirmado atos.

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