Variante brasileira já predomina em casos de Covid-19 em Araraquara

Variante brasileira, a P.1, foi detectada em 93% de amostras analisadas pela USP na cidade, que se destacou por adotar lockdown total

atualizado 04/03/2021 11:03

Funcionário da Prefeitura de Araraquara desinfecta ponto de ônibus durante lockdownDivulgação / Prefeitura de Araraquara

São Paulo Dados preliminares de estudo conduzido pelo Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) indicam que a variante brasileira do novo coronavírus, conhecida como P.1., já é a predominante em Araraquara, no interior de São Paulo.

Segundo os pesquisadores, em 93% de 57 casos de pacientes com Covid-19 analisados na cidade havia a presença da variante brasileira. Os pesquisadores coletaram amostras de secreção de pessoas infectadas que procuraram atendimento em um posto de saúde entre os dias 25 de janeiro e 23 de fevereiro de 2021. As informações são da Agência Fapesp.

Araraquara virou notícia nacional ao determinar lockdown total em meados de fevereiro. Desde então, a cidade vem sofrendo com a saturação do sistema de saúde por conta da alta procura de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

“Até 17 de fevereiro ainda encontramos alguns casos de infecção por outras linhagens. A partir daí, foi tudo P.1.”, conta Camila Romano, coordenadora da investigação sobre a prevalência de P.1.

As primeiras análises foram feitas com material de 22 pacientes hospitalizados. “Como eles já estavam internados há muitos dias, a expectativa era de que a carga viral no organismo seria muito baixa e, portanto, difícil de analisar. Mas, para nossa surpresa, conseguimos sequenciar o RNA do vírus em 14 amostras, das quais 12 deram positivo para a P.1.”, afirma Romano.

Estudo recentemente divulgado por pesquisadores do Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE) – que também colaboram neste estudo coordenado por Romano – indica que a variante brasileira emergiu em novembro de 2020 e em apenas sete semanas se tornou a mais prevalente na cidade de Manaus, no Amazonas.

Segundo o estudo, a P.1. pode ser até 2,2 vezes mais transmissível e tem 61% de chance de infectar pessoas que já pegaram Covid-19. Segundo pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a P.1. também sobrecarrega as células humanas com uma carga viral dez vezes maior que o normal.

“É incomum uma linhagem emergente substituir completamente outra já estabelecida em tão pouco tempo, ainda mais quando há um foco epidêmico ativo e um grande número de indivíduos já infectados. É assustador e mostra o poder desse vírus”, declarou Camila Romano.

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