Vacinação em dirigentes de administradora de cemitérios é investigada

Gerente comercial, diretor executivo e advogado da empresa alegaram ter contato com cadáveres potencialmente contaminados com a Covid-19

atualizado 26/02/2021 10:17

Rio de Janeiro – A Polícia Civil do Rio abriu mais um inquérito para apurar irregularidades na vacinação contra a Covid-19 no estado. Desta vez, a Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD) investiga a imunização de funcionários da concessionária Riopax, que administra cemitérios na cidade do Rio, por suposto crime de falsidade ideológica — fraude que consiste na criação ou adulteração de documento, com o objetivo de obter vantagem ou prejudicar terceiro.

Entre os 79 imunizados estão, por exemplo, o gerente comercial, o diretor executivo e o advogado da empresa, que alegaram ter “contato com cadáveres potencialmente contaminados com a Covid-19” para se vacinarem contra a doença.

A imunização dos funcionários da Riopax foi iniciada em 27 de janeiro, no Centro Municipal de Saúde Maria Augusta Estrella, em Vila Isabel. A partir da denúncia, policiais cumpriram mandado de busca e apreenderam documentos na sede da concessionária, além de tomar o depoimento dos três acusados de fraude e da responsável pelo setor de Recursos Humanos da Riopax, segundo o jornal O Globo.

A Secretaria de Estado de Saúde informa que apenas distribui as doses de vacinas para os municípios e orienta para que as cidades “organizem suas ações de vacinação priorizando os grupos elencados no Programa Nacional de Imunização”. A concessionária Riopax foi procurada pelo Metrópoles, mas ainda não respondeu os questionamentos sobre as possíveis irregularidades na vacinação.

Já a Secretaria Municipal de Saúde informa que o posto “que recebeu os funcionários da Riopax para a vacinação — todos eles portanto declaração assinada pela gerente de recursos humanos da empresa — abriu uma sindicância para apurar internamente os fatos”. A nota diz ainda que “por se tratar de uma declaração genérica, os profissionais de saúde também solicitaram outras informações no momento do preenchimento da ficha. Quando foi notado que profissionais administrativos estavam buscando a unidade, foi realizado novo contato com a empresa para alinhamento”.

Na tarde dessa quarta-feira (24/2), uma técnica de enfermagem do Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, em Copacabana, prestou depoimento na delegacia do bairro, na zona sul do Rio, acusada de aplicar vacina de vento em idosa.

A profissional foi afastada pela Secretaria Municipal de Saúde, que apura ainda outras denúncias de imunização irregular. A Polícia Civil também abriu inquéritos para apurar a conduta de profissionais de saúde em Petrópolis e em Niterói.

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