Vacinação aumenta intenção de entrada no ensino superior privado

Atraso nas matrículas preocupa especialistas pelo possível "apagão da mão de obra". Expectativa é melhora significativa em 2022

atualizado 29/06/2021 12:19

ISA LIMA/UNB AGÊNCIA

Um estudo feito pela Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior (ABMES), em associação com a Educa Insights, mostrou um aumento na intenção de entrada em faculdades privadas nos próximos 18 meses. A pesquisa também apontou que estudantes que já tomaram uma dose da vacina têm mais do dobro da intenção de se matricular.

Os pesquisadores entrevistaram 1.202 jovens que pretendem entrar no ensino superior particular. As entrevistas foram conduzidas entre janeiro e junho deste ano, nas cinco regiões do país e mostraram uma melhora no cenário para o setor. O relatório mostrou um aumento de 4%, na comparação com o mesmo período de 2020, na intenção de iniciar um curso de graduação.

Além disso, houve uma redução na incerteza, medida pelo índice em que entrevistados afirmam que efetuarão a matrícula apenas quando tudo se normalizar. O número de jovens que escolheram essa opção foi de 26%, redução significativa quando comparada aos 43% verificados no ano passado. No entanto, a expectativa é que a melhora chegue apenas em 2022.

“Não é a plenitude, não é um ciclo que vai resolver o dilema que foi enfrentado pelo setor durante a pandemia, mas já há uma sinalização bastante positiva de retomada”, explicou Daniel Infante, diretor da Educa Insights.

Já em relação ao ensino presencial, observou-se um aumento de 6% na intenção de volta à modalidade no próximo semestre. Outro ponto é que a migração do ensino presencial para o ensino à distância (EaD) estagnou-se em 40%, ou seja, esse movimento não ganhou mais força.

Vacinação aumenta intenção de matrícula

Pesquisadores chamam atenção para o aumento na intenção de ingresso nos cursos com o avanço da vacinação. Estudantes que já tomaram a primeira dose apresentam mais do dobro da intenção de matrícula e a menor incerteza a curto prazo em comparação com jovens que ainda não se vacinaram.

Para 2022, com a expectativa de que a imunização já tenha avançado em níveis populacionais, a média de resposta mostra que os estudantes pretendem começar seu curso independente de já terem se vacinado ou não.

Celso Niskier, diretor-presidente da ABMES. pontuou que a demora na vacinação também pode contribuir para o “apagão da mão de obra qualificada”. Sem a imunização, estudante tendem a adiar o ingresso no ensino superior, o que atrasa sua graduação e posterior entrada no mercado de trabalho.

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Procura por cursos na área de saúde aumentou

O crescimento da procura por cursos na área de saúde já acontecia antes da pandemia, mas foi ainda mais acelerado, com um maior foco no presencial. Já para o EaD, cursos como pedagogia e educação, além de negócio e gestão, tiveram um aumento significativo na intenção de matrícula.

“A pandemia transformou os profissionais de saúde em verdadeiros herois. E, acho que os jovens têm percebido, não só pelo exemplo, mas também pela oportunidade que está se criando até por conta das consequências da pandemia”, diz Kiskier.

Sólon Caldas, diretor-executivo da ABMES, também ressaltou que a pandemia mostrou que, mesmo em tempos de crise, profissionais de saúde têm mais estabilidade e garantia na manutenção dos empregos, o que aumenta a procura pela área.

 

 

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